Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 03/11/2021

No documentário chileno “Agente Duplo”, indicado ao Oscar de 2020, um detetive particular de 85 anos é contratado para descobrir se há maus tratos em um asilo e atua como espião na instituição. Na trama, o detetive apura informações de vários idosos abandonados, física e afetivamente, no lar de idosos após a velhice. Sob esse espectro, o abandono de idosos em questão na contemporaneidade é um fato social que interfere diretamente no desenvolvimento moral e social do país, fomentado tanto pelo desequilíbrio demográfico, quanto pelo abandono afetivo.

Antes de mais, é perspícuo o cenário populacional de aumento da expectativa de vida devido os avanços na medicina. Nessa perspectiva, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em apenas uma década, a demografia de idosos teve um acréscimo de 19,5% em sua totalidade. Entretanto, devido o desequilíbrio na estrutura populacional, na qual apresenta um decréscimo da população economicamente ativa, fatores econômicos de subsistência tornam esses dados preocupantes, haja vista que o índice de idosos desamparados, ainda segundo o IBGE, cresce exponencialmente desde as últimas décadas. Sendo assim, é notória a incógnita econômica na problemática de asilados no Brasil, logo, urge ações econômicas que promovam uma melhor qualidade de vida para a população economicamente inativa.

Outrossim, é sensato problematizar o abandono afetivo como outro espectro moral da adversidade em questão. Sob esse prisma, consoante a legislação brasileira, caracteriza-se como crime de abandono afetivo o ato de depreciar e negligenciar a humanidade e integridade dos familiares idosos. Nesse impasse, o abandono familiar e afetivo pode gerar danos psicológicos nos asilados, como depressão, emagrecimento e falta de socialização e comunicação. Sendo assim, o abandono físico e emocional é uma problemática individual e inconstitucional que deve ser repreendido e atenuado.

Depreende-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de atenuar o abandono afetuoso e promover os direitos dos idosos. Para tanto, é dever do Ministério da Cidadania — cuja função social é remediar o desenvolvimento social do país — promover a possibilidade de melhoria na qualidade de vida na velhice. Por meio de um projeto social que prioriza a saúde mental de idosos asilados, em sinergia com instituições de educação superior, deve-se promover bolsas de estágio para adultos desempregados que possam fazer companhia aos idosos, além de apresentar elementos como arte, música e cinema para elevar a socialização do asilo. Dessarte, somente assim, a problemática moral do documentário “Agente Duplo” será atenuada e o índice de emprego proporcionará melhores qualidades previdenciárias na futura geração.