Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 29/06/2021

No livro “ O segredo da livraria de Paris”, de Lily Graham, é retratada a história de Mirielly que em meio a Segunda Guerra Mundial vê-se tentada a fugir do país, entretanto pelo respeito ao seu pai idoso decide permanecer e dar-lhe assistência na velhice. Fora na ficção, no entanto é percebido justamente o oposto, tendo em vista que o grande contingente de idosos abandonados, hodiernamente, configura-se como um desafio preocupante para a sociedade brasileira. Dessa maneira, estando entre os fatores responsáveis pela problemática não só a falta de empatia por parte do público jovem, mas também as leis brandas que permitem a perpetuação dessa ojeriza social.

Em primeira análise,é indubitável que a pouca importância de muitos jovens para o cuidado dos idosos faz com que essa cultura de abandono seja propagada. Essa atitude,vai ao encontro do pensamento de Durkheim, sociólogo francês, ao afirmar, por meio do “fato social”, que o indivíduo é reflexo do meio a qual está inserido. Nessa perspectiva, a afirmação do pensador se encaixa perfeitamente na problemática, tendo em vista que, muitos jovens e adultos, consideram os idosos “como um peso” , devido a limitação física imposta pela senescência.Conquanto, as práticas de abandono de idosos em ambientes com crianças, que estão em fase de desenvolvimento psicológico, faz com que estas passem a normatizar esses atos, fazendo com que, muito provavelmente, sejam reverberados no futuro. Dessa forma, aumentando consideravelmente, como demonstrado no documentário “Abandono de idosos: uma realidade despercebida” não somente o abandono material,mas também o afetivo.

Em segunda análise, cabe salientar as leis brandas como um dos percussores dessa triste conjuntura. Sob esse viés,segundo Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, em sua obra “Cidadão de Papel”, os direitos são previstos na legislação, todavia no plano prático eles são subtraídos. Nesse sentido, em consância com esse pensamento, mesmo o Estatuto do Idoso defendendo o amparo do Estado e da família, bem como a criminalização do abandono, essa realidade não é percebida, devido o pouco tempo de reclusão que proporciona que mais crimes relacionados a negligência parental ocorram.

Destarte, mais medidas são necessárias para a resolução desse impasse. Logo, cabe ao Ministério da Cidadania, em parceria com o Ministério da Educação, realizar um maior número de campanhas sobre empatia e responsabilidade afetiva para com os idosos, por meio de palestras, divulgação de anúncios ,nas escolas e na internet, com o fito de que a prática de abandono seja revertida. Outrossim, cabe ao poder legislativo modificar as penas, para que essas sejam mais duras, a fim de que esse crime passa a ter menor ocorrencia. Como efeito social, haverá uma sociedade que repudia o abandono, fazendo com que a ficção de cuidado com o idoso retratada no livro seja transfigurada para a realidade.