Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 04/07/2021

No comercial de televisão da rede de supermercado alemã, Edeka, é dramatizada a vida de um idoso que, apesar de ter muitos filhos, vê-se sozinho e sem esperança de passar o natal acompanhado. Fora das telas, o abandono das pessoas mais velhas é, infelizmente, uma realidade na contemporaneidade. Diante disso, é vital a análise acerca das causas desse problema, a fim de estabelecer caminhos a sua efetiva solução. Nesse sentido, destacam-se a carência informacional e a negligência familiar.

Primeiramente, é indubitável que a falta de informação contribui para a problemática. Isso liga-se fortemente ao tema pois, segundo a historiografia, com o avanço da medicina e as melhores condições sanitárias, a expectativa de vida nunca foi tão grande no mundo. Dessa forma, tem-se uma população despreparada para lidar com um velhice, haja vista que não há mecanismos educacionais direcionados à valorização e entendimento da vida idosa. E, diante da novidade e desinformação acerca da terceira idade, muitos veem no abandono a solução para lidar com os longevos.

Outrossim, outro fator de destaque dessa conjuntura é a negligência familiar. Sob esse prima, alude-se o pensamento do socióligo alemão Jurge Habernas, o qual propõe, em seu conceito sobre “Mundo da Vida”, que o mundo do trabalho coloniza o mundo da vida. Nesse âmbito, os familiares embuídos de atividades laborais, não dedicam tempo aos cuidados e participação na vivência de seus parentes idosos. Essa situação, tristemente, leva a pessoa idosa a vivenciar o drama do abandono.

É evidente, portanto, que medidas devem ser tomadas para combater as causas que favorecem a permanência do abandono de idosos na contemporaneidade. Logo, é vital que o Conselho Nacional dos Direitos do Idoso, juntamente ao Ministério da Educação, promovam a inserção do ensino acerca da valorização e condição da vida idosa, por meio da distribuição de cartilhas no ambiente escolar, e posteriores discussões não sazonais sobre o assunto. Essa medida deve contar com a participação da família durante os debates, para que todo o corpo familiar possa usufruir do entendimento sobre os longevos e ver, no abandono, uma solução cruel para lidar com eles. Só assim, os mais velhos não vão mais vivenciar a situação exposta pelo comercial alemão.