Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/07/2021

No limiar do presente século, são inúmeros os comportamentos que acarretam a solidão que maltrata o corpo e a mente dos idosos. Por um lado, apesar de respeitosas medidas públicas, é preciso uma análise mais atenta e aprofundada sobre o nefasto descaso social para com os anciães. Por outro, os altos índices de abandono contra essa importante parcela da sociedade brasileira revelam um caminhar na contramão de nações que são construídas tendo como pilar o respeito aos seus ancestrais.

Sob esse viés, é relevante abordar que, na esfera jurídica, é irrefutável a importância do Estatuto do Idoso no enfrentamento à solidão na velhice. Nesse sentido, leis específicas impõem a obrigação da família e do Poder Público de assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação de direitos inalienáveis, que vão desde a própria vida até à liberdade, cidadania e lazer, bem como o papel da comunidade de marcar presença, companhia e assistência aos idosos. Entretanto, sem a devida aplicação e monitoramento na esfera social, as normas nada mais são do que letras mortas. Desse modo, o Estado, através de seus órgãos específicos, deve traçar novas formas de aplicação consistente do Estatuto do Idoso, em prol de um bom envelhecimento das próximas gerações.

Ademais, vale ressaltar que o tratamento do idoso em países orientais sempre foi marcado pelo máximo respeito e resiliência. Exemplos de filósofos como Confúcio, defensores da ideia de que o idoso deve ser o centro das decisões sociais, provam essa visão. Contudo, de acordo com o IBGE, 9 milhões de idosos vivem sozinhos em suas residências no Brasil, assim, evidenciando o absurdo abandono afetivo da própria família que, por conseguinte, diminui a performance cognitiva como também causa demência, artrite e depressão nos idosos. Diante disso, é essencial que a sociedade desconstrua a cultura de desvalorização enraizada no DNA sociológico brasileiro, por meio de instituições formadoras da sociedade.

Dessa forma, fica clara a necessidade da efetivação, por parte de todo o corpo social, dos direitos constitucionais previstos no Estatuto do Idoso. Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, deve promover discussões direcionadas a todas as faixas etárias em instituições de ensino e veículos midiáticos, a fim de exaltar a importância do contato frequente dos idosos com as pessoas para a manutenção da saúde. Outrossim, a Sociedade Civil deve atuar de forma proativa, através do estímulo de diálogos que externem a relevância dos mais velhos para o desenvolvimento sociocultural, com o propósito de reunir, assim, experiências de todas as idades. Com isso feito, o Brasil, em consonância com o ideal de Confúcio, agregará, de forma digna, os idosos, responsáveis pela construção de uma sociedade madura e resiliente.