Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 17/07/2021

De acordo com dados divulgados pelo portal Istoé, o número de idosos e desamparados em abrigos públicos está crescendo a cada ano que passa, mesmo essa ação sendo considerada crime no Brasil, como previsto no Estatuto do Idoso. Esses números revelam a complexidade da questão do abandono de pessoas da terceira idade, que está ficando cada vez mais banal na sociedade brasileira atual. Nesse contexto, tornam-se evidentes, como causas, tanto individualidade quanto a impunidade.

Convém ressaltar, a princípio, que a falta de empatia é um fator determinante para a persistência do problema. Nesse sentido, Zygmunt Bauman define a sociedade atual como extremamente individualista. Tal postura é claramente perceptível na questão do idoso, visto que, em geral, a população deixa de se importar com as pessoas de mais idade e as abandonam, devido ao fato delas necessitarem, muitas vezes, de atenção especial, pois muitos idosos quando chegam nessa faixa etária já não estão mais capacitados para se cuidarem sozinhos. Assim, sem a empatia necessária para cuidar dessas pessoas, esse problema se solidifica e se perpetua.

Além disso, outro ponto relevante, nessa temática, é a impunidade de parte da população que abandona os idosos mesmo isso sendo considerado crime. De acordo com Marquês de Maricá, “a impunidade promove os crimes e de algum modo os justifica”. Nessa perspectiva, não se pode deixar de notar que a impunidade mantém a negligência com o idoso, já que mesmo com a lei, que deveria diminuir esses casos, algumas pessoas continuam praticando o abandono de idosos na realidade, como foi divulgado pelo site Istoé. Dessa maneira, sem a punição adequada para a parte da população que transgride o Estatutu do Idoso, o problema persistirá na sociedade. Então, urge que a justiça exerça seu papel.

Sendo assim, em virtude da individualidade e da impunidade, torna-se indispensável a adoção de mediadas capazes de assegurar a resolução do problema. Para isso, o Ministério da Justiça deve fazer um intensivo de julgamentos, por meio de plantões dos juízes, a fim de reverter a impunidade que impera na questão do abandono atualmente. Tal ação pode, ainda, ser divulgada nas redes sociais juntamente com o disque-denúncias, para superar esse cenário de injustiça. Paralelamente, é preciso intervir sobre individualismo presente no problema.