Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 16/08/2021
Segundo Zygmunth Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” do século XXI. Nesse ínterim, observa-se a instabilidade na qualidade de vida da classe idosa no Brasil, onde o número de idosos cresce a cada ano, e a taxa de abandono se alastra. Com isso, urge refutar as causas desse impasse, como a deficiência governamental em simetria com a negligência dos meios midiáticos, para que haja melhoria nas condições sociais do idoso brasileiro.
Em primeiro plano, destaca-se a ineficiente aplicabilidade dos direitos conquistados como fator propulsor da negligência com os idosos. Segundo Aristóteles, a política deve ser aplicada, de modo que, por meio da justiça, a sociedade alcance o equilíbrio. Consoante ao filósofo, a efetividade legislativa rompe rompe com essa harmonia, haja vista que não existem instituições, como asilos, suficientes para atender a alta demanda da referida classe. Nesse ínterim, apesar do Estatuto do Idoso determinar a existência de entidades para a assistência dos indivíduos com mais de 60 anos, essa execução da lei se encontra deficitária. Logo, parcela da população idosa se torna vulnerável a uma qualidade de vida sem os cuidados devidos.
Paralelamente a isso, sobressai a omissão midiática como colaboradora do abandono do grupo envelhecido. De acordo com Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Seguindo o pensamento do sociólogo, a mídia pode ser considerada ferramenta de obscurantismo social, uma vez que não cumpre seu papel social no que tange a exposição eficaz do tema de envelhecimento populacional para a sociedade. Nesse cenário, a valorizaçãodo idoso revela-se insignificante perante parte da população. Desse modo, faz-se necessário mudança na postura dos canais de comunicação do país.
Destarte, entende-se que, o abandono de idosos é fruto do descaso do poder público somado à falha da mídia. Assim, urge imperativo que o poder executivo, construa novos centros de assistência ao idoso, mediante não só licitações para a parte de estrutura urbana, mas também capacitação dos assistentes. Com isso, o objetivo será oferecer um lar digno para uma maior quantidade de pessoas idosas abandonadas. Ademais, competem aos canais midiáticos, como a Globo, incitar a mudança de mentalidade social da população, por meio de programa específico que ofereça aos telespectadores a importância do respeito e cuidado com o grupo que aumenta no país. Desse modo, a dignidade dos longívos, será, gradualmente, harmoniosa e garantida no país.