Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 12/08/2021
O conto Feliz Aniversário, da célebre escritora Modernista Clarice Lispector, retrata o abandono sofrido pela personagem Anita em sua velhice. Nota-se que o apresentado na literatura não dista do cenário nacional contemporâneo, tendo em vista a persistência do abandono vivenciado por parcela dos idosos brasileiros. Tal imbróglio é chancelado pela inoperância do Estado e pela apatia de parte da sociedade.
Acerca do supracitado, convém pontuar, de início, que a displiscência governamental, no que concerne ao cumprimento das ações que visem o amparo dos idosos brasileiros, mostra-se prejudicial para o pleno funcionamento do país. Paralelamente, conforme o Contrato Social proposto por Jean Jacques Rousseau, é dever do Estado garantir meios para viabilizar o bem-estar social. Sob o prisma do filósofo, percebe-se que o Estado brasileiro falha em seu papel, tendo em vista que o planejamento de ações para o amparo da terceira idade, como projetos voltados para a integração social do grupo, não aacompanhou o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, fator lesivo para o bem-estar dos idosos. Assim, a inércia estatal quanto ao cumprimento dos direitos garantidos na Constituição Federal de 1988, que afirma como papel da socieadade e do Estado a garantia do bem-estar durante a velhice, intensifica o abandono social dos idosos brasileiros.
Outrossim, é imprenscindível salientar que a apatia presente em parte do corpo cível nacional corrobora o óbice, pois ocorre a normalização dos atos nocivos. Analogamente, de acordo com a Teoria das Janelas Quebradas, pertencente à Escola de Chicago, um comportamento antissocial suscita outros comportamentos antissociais. Segundo esse viés, entende-se que, por ocorrer assiduamente no contexto nacional, a negligência quanto aos idosos passou a ser tratada como normal por parte da sociedade, que mantém uma postura apática e acrítica, tendo em vista que o tema é pouco abordado e problematizado. Por conseguinte, o corpo social, ao resignar-se diante do desamparo vivenciado pela terceira idade, colabora para que tais hábitos nefastos permaneçam imutáveis, prejudicando a homeostase social.
Portanto, diante do supramencionado, cabe ao Estado, por meio de redirecionamento de verbas, ampliar os programas de amparo ao idoso, incluindo medidas que visem uma melhor integração social desses, com o fito de garantir a execução plena dos direitos constitucionais. Concomitantemente, cabe à Mídia, mediante a veiculação de campanhas educativas, veiculadas na televisão e na internet, promover o debate acerca do abandono de idosos, a fim de tornar a sociedade brasileira mais crítica quanto ao óbice, gerando mudanças de comportamento. Por esses caminhos, tornar-se-á possível que o Brasil se afaste do apresentado no conto de Clarice Lispector.