Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 03/09/2021

No filme “Up: altas aventuras” a velhice é retratada de maneira a ressaltar as nuances existentes nessa fase da vida, destacando-se a presença da solidão e da importância da colaboração de terceiros na garantia da sua boa vivência. Em analogia ficcional, diante do movimento de envelhecimento populacional contemporâneo, coloca-se em pauta o abandono dos idosos nacionalmente. Diante disso, cabe a análise da estrutura sociocultural que orienta a problemática, além da observação relativa ao papel das instituições sociais primárias na sua intervenção.

Em primeira análise, a dinâmica de negligência com que a velhice é tratada, atualmente, foi criada no século XIX, a partir do sistema cultural que se entrelaça à estrutura econômica emergente. Nesse sentido, segundo a teoria marxiana, na modernidade, o valor do indivíduo se confunde com a sua capacidade de produção de capital, marginalizando aqueles que deixaram a massa de trabalho. Sob essa ótica, incute-se no imaginário coletivo a visão que a velhice está relacionada com a inércia humana e incapacidade de inclusão em atividades sociais, colocando, coletivamente os velhos como peças insignificantes. Assim, consolidou-se uma lógica social indiferente e excludente, em movimento contrário à Antiguidade Oriental, por exemplo, em que os idosos tinham protagonismo na ordenação da coletividade com a Assembléia dos Anciãos romana.

Paralelo a isso, o bem-estar na terceira idade é atrelado à capacidade de participação no ambiente coletivo, sendo essa assegurada institucionalmente às entidades Estado e família. Nesse sentido, o Estatuto do Idoso atribui a qualidade de vida dos idosos às ações estatais e da sociedade civil, determinando que os Governos devem estar à frente do combate à negligência e violência que essa parcela vulnerável da população. Contudo, rompem-se com as determinações legais ao ser registrado em pesquisa da Fiocruz que, nacionalmente, cerca de 60% dos casos de violências contra idosos ocorrem nos lares e, comumente, são passíveis de detecção.

Portanto, cabe ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos deve promover, nas universidades públicas do país, pesquisas quali-quantitativas voltadas ao estudo da superestrutura e infraestrutura que, paralelamente, criam um ambiente sociocultural e institucional favorável ao surgimento dessa mazela social, mapeando as realidades e intervindo de maneira ordenada. A partir dessa ação, tornar-se-á possível a ordenação de políticas afirmativas (como educação de jovens e crianças para a valorização dos idosos e a sua inclusão social, por meio de centro comunitários de apoio à pessoa idosa, por exemplo) capazes de intervir no cenário atual.