Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 05/10/2021
Para o filósofo Jean-Paul Sartre, “o ser humano é livre e responsável, cabe a ele escolher seu modo de agir”. Essa visão, embora correta, não abrange todo o hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que o abandono de idosos ainda tem números elevados. Isso ocorre tanto em função de ter uma das menores poupanças das Américas para a senescência, como também pela inação das esferas governamentais para conter esse dilema. Diante disso, é imprescindível conhecer e discutir os diversos estigmas dessa problemática, na propensão de solucioná-la.
A princípio, é válido reconhecer como esse panorama supracitado é capaz de limitar a própria cidadania do indivíduo. Acerca disso, é pertinente trazer o discurso do filósofo Jurgen Habermas, que consiste na capacidade de uma pessoa de defender seus interesses e demonstrar o que acha melhor para a comunidade, que demanda ampla informatividade prévia. Dessa forma, sabendo que a cidadania consiste na luta pelo bem-estar social, caso os sujeitos não possuam total conhecimento da realidade na qual estão inseridos, eles serão incapazes de assumir plena defesa do coletivo. Logo, o crime de abandono de incapaz, não pode ser aceito em nome do combate, também, ao individualismo e zelo pelo bem grupal.
Ademais, o controle de dados impulsiona a indústria cultural, teoria criada pelos sociólogos Adorno e Horkheimer. Segundo essa, a cultura de determinado local é substituída por uma que se sobressai, fenômeno intensificado pela concentração de renda. Em virtude de manipulações por autoridades governamentais e, de acordo com a Organização das Nações Unidas, o Brasil tem a 2ª maior concentração de renda do mundo; uma vez que os elementos da cultura a ser difundidos são vinculados aos que têm mais poder de voz. Isso leva a um desafio econômico pessoal para os brasileiros, a falta de poupança e planejamento, que contribui, cada vez mais, com o aumento de abandono de idosos.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Economia deve propor a criação de um conjunto de regras que garantam o planejamento econômico dos brasileiros, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tais normas têm como finalidade assegurar que todos com mais de 60 anos possam usufruir da sua aposentadoria de maneira digna, sendo estabelecidas no cotidiano da população, tornando-se habitual. Como também, o Ministério da Educação deve promover uma nova matéria obrigatória em todas as escolas brasileiras: Educação Financeira. Para que crianças e adolescentes passem a ter esse conhecimento prévio. Espera-se, com essa ação, o controle desse problema.