Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 07/10/2021
Na comunidade indígena Xavantes, as pessoas mais velhas detêm os “cargos” de liderança entre os demais, em virtude, do acúmulo de experiências e aprendizados. Paralelamente, opondo-se ao exemplo, a vida de idosos - que habitam centros urbanos - está marcada pelo crescente abandono e marginalização social. Desse modo, o intenso desenvolvimento urbanístico criou uma “data de validade” a terceira idade, que acaba sofrendo ao vivenciar a falta de auxílio governamental e familiar.
Em primeira análise, o “vencimento” dos idosos no mercado de trabalho - vistos como ultrapassados em relação com o desenvolvimento empresarial - representa a saída e ,consequente, dependência governamental, que vai muito além do apoio financeiro da aposentadoria. Entretanto, essa ajuda se encontra apenas do mundo idealizado, já que o auxílio à saúde e acompanhamento social são de difícil acesso. Apesar de, garantido pela Constituição Federal de 1988, que garante um atendimento vulnerabilidades específicas das quais o envelhecimento impõe, o programa televisivo Globo Repórter mostrou uma realidade oposta, em que, a idosa Regina teve de buscar meios alternativos para suprir as lacunas sobre o que o governo oferece. Demonstrando assim um descumprimento constitucional e o desamparo da terceira idade.
Ademais, a “melhor idade” é marcada pela abandono familiar, no qual familiares e amigos consideram as pessoas com mais idade e, consequentemente, mais dependência, um desafio que acabam negligenciando. Com isso, a justiça brasileira considera crime, de acordo com o artigo 98, o desamparo da população que carece de qualquer tipo de auxílio. Entretanto, a lei é considerada um enfeite, visto que a falta de fiscalização sobre a qualidade de vida dos idosos, impede que qualquer pena seja imposta e as vítimas sejam acolhidas. Em conformidade, com a transição demográfica, sob a qual o Brasil está sujeito, a população idosa tende a ultrapassar o número total de crianças até 2030 - dados do Ministério da Saúde. Com isso evidência-se a necessidade de mudanças no que diz respeito aos idosos. Dado o exposto, é notório que o envelhecimento populacional é uma questão a ser resolvida, já que a idealizada “melhor idade”, se resume na realidade a uma condenação de desamparo e vulnerabilidade.
Dessa forma urge ao Ministério da Saúde e ao da Justiça, designar assistentes sociais capacitados, para acompanhar as particularidades de cada idoso, permitindo indentificar suas necessidades e carências, e possíveis abandonos, afim de cumprir os direito constitucionais e aplicar medidas legais, caso for preciso. Desse modo, permitindo um envelhecimento com mais dignidade, assim como, o exemplo dos Xavantes.