Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 10/10/2021

De acordo com a Demografia, área da Geografia que estuda a população e as mudanças na pirâmide etária dos países, o aumento da expectativa de vida representa uma realidade em diversas nações. Apesar de indicar certa melhoria da qualidade de vida do país, esse cenário ocorre, muitas vezes, concomitantemente com a problemática do abandono e dos maus-tratos com os idosos decorrente de uma cultura contemporânea de ganância e descarte. Nesse sentido, fatores de ordem cultural e educacional caracterizam a problemática.

É importante pontuar, de início, o contexto socio-cultural hodierno marcado pela superficialidade das relações, pela ambição financeira e pelo frequente descarte de relações e pessoas, tal como ocorre com a população mais velha. Ao contrário do que é defendido por algumas tradições indígenas, nas quais os idosos são respeitados e vistos como os mais sábios da tribo, na sociedade pós moderna, esses indivíduos, caracterizados por possuirem maior lentidão, passam a ser tratados com impaciência pelas pessoas, como resultado de uma cultura que preza pela celeridade. Além disso, a busca por recursos financeiros, que são geralmente maiores entre as pessoas mais velhas, atrelada a uma mentalidade de uso e descarte, inclusive de pessoas, também levam ao abandono sofrido pelos idosos.

Outrossim, vale ressaltar a falta de debates e de enfoque dado a esse assunto pela sociedade em geral, porém que poderia começar pelas escolas. De acordo com o educador Paulo Freire a educação é capaz de transformar a sociedade. Consoante essa ideia, faz-se mister a maior dedicação dessa instituição de ensino em fomentar valores nos alunos e nos jovens acerca do respeito e da valorização da figura idosa para que a sociedade a longo prazo desenvolva uma mentalidade mais positiva acerca dessa parcela da população. Logo, é possível perceber a necessidade do ensino como ferramenta de desconstrução de uma cultura que contribui com o abandono.

É notória, portanto, a relevância de fatores de cunho cultural e educacional na temática supracitada. Nesse viés, cabe ao Governo Federal, em parceria com a mídia, o papel de promover campanhas de acolhimento e respeito aos idosos para a população com o intuito de combater o abandono. Essa medida pode ser realizada por meio de anúncios e propagandas nos principais meios de comunicação. Ademais, cabe à escola a função de desenvolver nos alunos valores e princípios de respeito para com as pessoas mais velhas por meio de palestras, trabalhos dinâmicos e debates em sala de aula. Poder-se-á, assim, combater a questão e transformar a sociedade, tal como defende Paulo Freire.