Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 21/10/2021
No final do século XIX, Émile Zola, o maior expoente do Naturalismo Francês, buscou em sua obra “O Germinal” desconstruir o mundo idealizado do Romantismo, trazendo à tona temas como a miséria, a exclusão e o abandono. Contemporaneamente , mais de dois séculos depois essa reflexão ilustra de forma contundente o panorama vigente de abandono de idosos no Brasil. Esse abandono ocorre devido à secundarização estatal e à falta de abordagem temática em ambiente escolar.
Em uma primeira análise, sob uma ótica político operacional, o abandono de idosos em questão na contemporaneidade, possui estreita relação com a secundarização da pauta exercida pelo Estado. Vale salientar que não há políticas públicas que possibilitem a superação desse desagradável cenário, como o investimento público em previdência social, saúde do idoso e geração de empregos. Analogamente, no final do século XVI, Nicolau Maquiavel, em seu tratado “O Principe”, discorreu acerca do fisiologismo, no qual, argumentou sobre a forma como os governantes conduzem suas decisões, buscando sempre perpetuar e expandir suas respectivas esferas de poder. Dessa forma, a partir dessa lógica fisiologista, não há desenvolvimento significativo da pauta, uma vez que, devido ao seu alto custo e baixo apelo social, tornou-se uma pauta preterida pela classe política.
Ademais, sob um prisma educacional, a falta de abordagem temática no âmbito escolar fomenta de forma significativa a exclusão do idoso. Nesse sentido, o psicólogo russo Lev Vygotsky, em seu livro “Aprendizado e Desenvolvimento”, expôs o quanto a escola se afastou das demandas sociais, formando indivíduos dotados de uma gama abrangente de conteúdos, porém, despreparados para o cotidiano. Sendo assim, a partir desse gargalo pedagógico, permitiu-se uma precária formação cidadã, possibilitando a vigência desse desagradável panorama.Nessa perspectiva,segundo pesquisa realizada pelo IBGE e divulgada pelo periódico “O Globo” aproximadamente setenta por cento dos brasileiros não planejam seu futuro de forma a assegurar uma aposentadoria digna e desconhecem seus direitos quando atingirem a terceira idade.
Portanto, a secundarização estatal em paralelo com a falta de abordagem temática em ambiente escolar, propiciam esse cenário de abandono de idosos. Sendo assim, com o objetivo de se reverter esse panorama, o Poder Executivo Federal, deve, sob a forma do Ministério da Economia , promover investimentos visando a integração do idoso à sociedade, investindo principalmente na previdência social e na ampliação do mercado de trabalho, destinando um número determinado de vagas à população correspondente à terceira idade. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e igualitária, afastando-se das mazelas de Zola.