Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 22/10/2021

No filme chileno “Agente duplo”, o personagem principal atua como detetive particular em uma instituição para idosos com o objetivo de verificar se os pacientes são desrespeitados. Entretanto, encontrará pessoas marcadas pela solidão e dor do abandono. Fora das telas, essa é a realidade de muitas pessoas da terceira idade no Brasil e revela o descaso com esse grupo social. Isso ocorre por meio de uma mentalidade econômica produtiva resultando em piora na saúde mental desse indivíduos. Dessa maneira, é essencial que essa chaga social seja discutida e resolvida.

Sob essa ótica, os idosos são reconhecidos por meio de suas debilidades e vulnerabilidades, e logo, colocados de “escanteio” pela sociedade por não serem produtivos. Nesse sentido, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do cansaço”, destaca a insana procura da sociedade do século XXI pela alta produtividade em quaisquer meios em detrimento da integridade física e mental, e das relações sociais. Com isso, pelo motivo dos idosos não pertencerem à idade economicamente ativa e seu pleno cuidado requerer esforços de tempo e dinheiro, são abandonados por não contribuirem com a intensa vida produtiva da sociedade pós-moderna. Desse modo, o grupo exposto é afetado pelo padrão de vida atual evidenciado por Han.

Consequentemente, a exclusão social e a invisibilidade por toda a sociedade leva ao desenvolvimento de doenças mentais. Nessa perspectiva, a última Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontou que a depressão atingia cerca de 13% da população entre 60 e 64 anos. Esses dados revelam que a exclusão social não é realizada somente por familiares, uma vez que mesmo com grande número de idosos com a saúde mental debilitada, os jovens continuam sendo o foco para o desenvolvimento de políticas de suporte. Evidencia-se, assim, a exclusão social por diversos setores da sociedade e seu efeito na população em análise.

Portanto, visto os desafios associados ao abandono de idosos, são necessárias medidas para combatê-las. Diante disso, o governo federal, órgão máximo do poder executivo, precisa atuar juntamente com o Ministério da Saúde desenvolvendo um programa de assistência aos idosos, garantindo por meio de visitas regulares às instituições dedicadas à esse público, acolhimento desses indivíduos com o objetivo de diminuir agravos na saúde mental.  Além dessa medida, há necessidade de desenvolver campanhas midíaticas que tenham como protagonista o idoso, com o objetivo de promover reflexão acerca do papel do idoso na sociedade. Mediante a essas ações concretas, a realidade debatida no filme agente duplo tão somente figurará na tela do cinema.