Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 06/11/2021

O ócio, antes, valorizado pelos gregos, é desprezado pela sociedade pós-moderna que após o desenvolvimento industrial passou a privilegiar a produtividade e a alta performance como forma de status financeiro e social. No entanto, a ascensão de tal consciência coletiva, resultou na exclusão dos idosos, já que são considerados como “fardos” pela sociedade, em virtude da diminuição dos atributos físicos e pelo aparecimento mais frequente de doenças, o que diminui a capacidade produtiva. Desse modo, depreende-se que os idosos são abandonados pelo Estado e pela população, tornando o processo de envelhecimento mais árduo e doloroso, intensificando o sentimento de solidão e depressão.

Por esse viés, é importante compreender que com a valorização do trabalho e do sucesso econômico, os idosos deixaram de ser vistos como sábios e tornaram-se descartáveis para o sistema. Nesse sentido, Byung-Chu Han, na obra “Sociedade do cansaço” aborda que a humanidade atualmente é marcada pela qualificação do potencial da juventude em detrimento da velhice estabelecida por improdutividade e decadência. A partir desse cenário, nota-se que um sistema baseado em eficiência e desempenho individual transformou a condição social da velhice em um símbolo de exclusão, visto que representam um alto custo para o Estado, devido aos gastos com o sistema previdenciário. Portanto, em um mundo, no qual o ócio rejeitado, a falta de ocupação profissional é um “apartheid” social.

Por conseguinte, a vilipendia do idoso pela sociedade desencadeia o sentimento de solidão e tristeza, em virtude da sensação de não pertencimento. Sob essa óptica, para Simone de Beauvoir o idoso é tratado com duplicidade, mesmo sendo visto como pai e mãe, também é considerado incômodo e inútil. Esse pensamento de hostilidade a velhice corrobora com o abandono familiar, promovendo práticas preconceituosas que o segregam e põe em risco a sua saúde mental, tornando, assim, mais suscetível o surgimento de traumas e doenças como a depressão, devido a fragilidade dos laços com os familiares. Logo, é imprescindível a promoção e valorização do conhecimento ancião para a formação de uma sociedade, na qual independente da idade, os indivíduos tenham voz e sejam respeitados.

Destarte é fulcral que o Estado - instituição responsável pela garantia e proteção dos direitos dos cidadãos - efetive a política nacional do idoso por meio da criação de programas de profissionalização, de palestras e de campanhas publicitárias que promovem o exercício da cidadania, da solidariedade e de valorização da alteridade. Para que seja formada uma sociedade mais harmônica, consequentemente, garantindo a dignidade dos indivíduos.