Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 03/11/2021
A série alemã “Dark” aborda a questão da negligência aos idosos, protagonizada pelo personagem Egon Tiedeman, o qual é abandonado por sua filha Claudia, que só se reaproxima do seu pai após descobrir que ele tem câncer. De forma análoga à obra, a problemática do desamparo à população com mais de 60 anos é uma realidade brasileira e esse cenário deriva tanto da desigualdade socioeconômica quanto de uma lacuna educacional financeira.
Em primeira análise, vale ressaltar que o Brasil é o 8º país mais desigual do mundo, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) e enfrenta graves problemas em decorrência dessa alta concentração de renda. Nesse contexto, a média de ganhos mensais da população é de R$ 1.380,00, conforme levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um valor muito abaixo do necessário para suprir as demandas básicas de sobrevivência. Sendo assim, hábitos como o de guardar parte dos ganhos pensando em uma aposentadoria mais tranquila estão fora da realidade da maioria do corpo cívico e são, consequentemente, pouco discutidos na esfera pública.
Em segunda análise, uma das raízes dessa falta de debate sobre o planejamento financeiro para a terceira idade está na ausência de uma educação financeira. Sob a ótica do sociólogo Édgar Morim, o método pedagógico brasileiro falha em ser abrangente e múltiplo, pois não prepara o jovem para as questões práticas da vida adulta como o entendimento sobre o imposto de renda, por exemplo. Nesse sentido, essa lacuna educacional é facilmente identificável na contemporaneidade, uma vez que uma grande parcela social desconhece a importância dessa programação pensando na velhice. Outrossim, a discriminação com os idosos também contribui para a prática de abandono, pois são constantemente vistos como um fardo, tanto pelo Estado quanto pelos familiares, se configurando como um ciclo difícil de romper.
Urge, portanto, que o governo federal, por meio do Tribunal de Contas da União, direcione capital para o Ministério da Educação, que deverá reverter a verba na implantação da disciplina de educação financeira nas escolas, com o objetivo de instruir os estudantes acerca da necessidade de se planejar a aposentadoria desde o início da vida trabalhista. Ademais, as aulas também deverão estimular os alunos a levarem essas informações para o ambiente familiar, como uma forma de orientar seus responsáveis sobre a relevância de se preparar para a velhice. Desse modo, espera-se democratizar o acesso ao conhecimento e difundir a importância da organização econômica para, assim, reduzir a vulnerabilidade e o abandono de idosos como Egon.