Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 10/11/2021
No famoso seriado mexicano conhecido como Chaves, é retratado através de múltiplos episódios a questão da efemeridade da juventude na canção: “jovem ainda, amanhã velho será”. Analogamente a isso, a questão da terceira idade no Brasil tornou-se uma vítima constante de abandono por parte dos familiares mediante a estreita relação de cunho social existente. Nesse sentido, é indubitável a necessidade de se combater fuga da responsabilidade de filhos que ousam negar ajuda a quem os criou e a visão errônea sobre a incapacidade produtiva no corpo social.
Constata-se, a princípio, que o abandono familiar é um dos pilares que promove o sentimento de solidão e seus possíveis desdobramentos de caráter social no Brasil. Segundo o artigo 230 da Carta Magna Federal, é dever da sociedade, do Estado e da família promover dignidade aos idosos em todo território nacional. No entanto, o que muito se constata, na verdade, é a crescente quantidade de casos de velhos abandonados em azilos já que seus filhos ou parentes próximos não apresentam paciência para o convívio. Desse modo, o abandono da terceira idade em centros terapeuticos apresenta um aumento de 30% nos ultimos 10 anos, segundo o IBGE e, sem dúvidas, isso acarreta na precarização da saúde mental de qualquer idoso que no fim da vida não recebe o reconhecimento que lhe é devido.
Ademais, o preconceito acerca da terceira idade no que tange a sua improdutividade associado com a visão deficitária no âmbito da previdência nacional são dois pilares que formentam a gradativa exclusão dos idosos em tempos hodiernos. De acordo com os principais portais noticiários do país, a crise existente no setor de aposentadorias causa um grande estrago em diversas áreas da economia brasileira. Contudo, a maneira como os jornais tratam dessa temática acaba por, eventualmente, culpabilizar os idosos pelos inúmeros problemas na previdência e no custo de vida proprocionado pelo Estado o que, sem dúvidas, trata-se de um equívoco propagado pela mídia que é responsável direto pela visão negativa acerca desse grupo.
Assim, a transformação dessa mentalidade excludente que ousa enxergar os idosos com tom improdutivo é fundamental para trazer dignidade a esse público que está à beira do abandono no Brasil. Portanto, é fundamental que o Poder Legislativo, por intermédio de um projeto de lei, estabeleça a criação de um orgão responsável por fiscalizar a mídia no Brasil de modo a inviabilizar a divulgação de conteúdos de caráter discriminatório ou excludente, a fim de tornar público o sentimento de coletividade que é fundamental para o acolhimento desse grupo que hoje é mal visto