Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 04/11/2021

No filme “Eu Me Importo”, lançado em 2021 pela plataforma de streaming Netflix, a atriz Rosamund Pike interpreta Marla Grayson, uma mulher que atua como tutora de idosos profissional. Apesar da ideia de tutoria surgir como uma forma de auxiliar as pessoas de mais idade de forma financeira, psicológica e social, Marla usa de sua função para enganar e explorar financeiramente os seus tutorados, colocando-os em instituições e vendendo seus bens para ficar com o lucro.  A trama, no entanto, não se distancia da realidade de vários cidadãos da terceira idade no Brasil e no mundo. A perpetuação desse cenário se deve ao silenciamento da temática e à falta de estrutura para o enfrentar o crescente envelhecimento populacional.

Em primeira análise, é importante pontuar que, o crescente número de idosos tem relação direta com os avanços tecnológicos, sanitários e de saúde, que proporcionaram o aumento da expectativa de vida das pessoas. Esse aumento da população acima de 60 anos, no entanto, nunca foi uma pauta com muita importância para a sociedade. Retrato disso foi a criação tardia do Estatuto do Idoso no Brasil, que só surgiu no ano de 2003. A invisibilização dessa camada da sociedade é preocupante e cria um cenário de descaso que leva a consequências ainda maiores, desde o sofrimento de diversas violências (financeira, física e psicológica), o abandono e até o suícidio, e por isso deve ser combatida.

Sob o mesmo ponto de vista, entende-se que a sociedade brasileira age com negligência perante os idosos também de forma institucional. A recém aprovada Reforma da Previdência e o fim da gratuidade para pessoas de 60 a 65 nos transportes públicos de São Paulo, por exemplo, demonstram a falta de estrutura e planejamento prévio das políticas públicas vontadas para o asseguramento da qualidade de vida dos cidadãos que estão ou em breve entrarão na velhice. Segundo a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o Rio Grande do Sul, apesar de ser o estado com o maior número de idosos do país, possui apenas 2 delegacias especializadas para atender esse público em todo o seu território. Fatos como esse comprovam que não existem esforços suficientes para que as necessidades desse grupo sejam devidamente atendidas, o que não deve ser aceito ou ignorado, e sim cobrado dos governantes.

Desse modo, faz-se necessária a ação conjunta do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e do Ministério da Cidadania na promoção da conscientização sobre a questão do abandono e inobservância dos idosos. Além disso, devem ser criadas mais políticas públicas efetivas, como a demanda da ampliação da quantidade de Delegacias do Idoso em todas as regiões e o prolongamento de seus horários de funcionamento, visando aumentar o amparo legal disponível. À partir disso, espera-se que o panorâma da questão do idoso obtenha significante melhora.

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