Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 15/11/2021

Durante a formação da democracia grega, critérios para dissernir quem era cidadão ou não foram estabelecidos, visto que apenas quem tivesse esse título poderia discutir sobre os assuntos da cidade. Desse modo, apesar de ser considerado um dos primeiros movimentos de consenso popular, os idosos eram excluídos desse processo por serem considerados ináptos. Logo, essa visão segregacionista persiste, devido a uma noção cultural sobre uma fase ruim e a impunidade nos casos de abandono.

Em primeira análise, vale destacar a visão negativa que a terceira idade tem na cultura popular. Historicamente, o idoso é excluído do convívio comunitário por o associarem a alguém incapaz de realizar tarefas cotidianas. Entretanto, deve-se frisar que é essa segregação que gera um sentimento de abandono a pessoa e não o oposto. A exemplo tem-se o poema “Retrato”, da autora Cecília Meireles, em que retrata uma perspecitiva negativa do idoso, visto que é relatada como uma fase triste, vazia e fria. Dessa forma, essa visão ruim é perpetuada como algo natural.

Em segundo plano, a falta de punição efetiva deve ser mencionada. Apesar do avanço estabelecido com o Estatuto do Idoso, muitos direitos são negligenciados socialmente, como o descuido da pessoa com terceira idade. Conforme o próprio documento, abandonar ou não prover as necessidades básicas do idoso prevê pena de 6 meses a 3 anos e multa, porém, nota-se a ausência de aplicação dessa lei. Tal realidade, deve-se ao vínculo histórico, já relatado, de associar o idoso a uma pessoa inútil, o que reforça um abandono familiar e estatal.

Portanto, desvincular a pessoa da terceira idade a uma figura incapaz, como acontecia na Grécia Antiga, é necessário. Sendo assim, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com Organizações Não Governamentais de direitos humanos, deve investigar ativamente os casos de abandono do idoso. Tais investigações serão realizadas via telefones e sistemas operacionais que vinculem dados do país, a fim de mapear os casos e punir os responsáveis pelo não cumprimento da lei. Ademais, as escolas devem fornecer debates interdisciplinares sobre o idoso, por intermédio de filmes, dados sobre a situação do grupo e troca de experiências, para a formação crítica social.