Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 09/11/2021
A Gerúsia era um concelho de anciões responsáveis pela administração das Pólis na Grécia antiga, sendo seus membros extremamente respeitados e admirados pela sociedade. Entretanto, em oposição a essa visão clássica da terceira idade, o que se enxerga no Brasil é o crescente abandono de idosos. Nesse viés, dois motivos colaboram para o agravamento desse infeliz cenário: o enfraquecimento dos laços familiares na contemporaneidade e a inobservância estatal.
Em princípio, o enfraquecimento dos laços familiares na modernidade é um dos principais fatores no agravamento do abandono de idosos no Brasil. À vista disso, como defende o sociologo polonês Zygmunt Bauman, com o avanço da lógica de consumo, impulsionada pelos ideais burgueses desde a Revolução Industrial, as relações entre os indivíduos e as intituições foram lentamente corrompidas, colaborando para uma sociedade extremamente consumista e desvinculado de afetos para com os seus semelhantes. Desse forma, a crescente apatia provocada por essa lógica nociva ao convívio, resulta na desestruturação familiar, isto é, os filhos cada vez mais se importam menos com seus pais, fomentando o abandono destes em casas de apoio ou asilos no momento em que suas idades avançadas se tornam um estorvo para o restante da família.
Outrossim, a omissão estatal em relação ao abandono de idosos é outro importante fator no agravamento dessa problemática no país. Posto isso, a Constituição Federal de 1988 estabelece que é dever do Estado garantir o pleno desenvolvimento e proteção da pessoa idosa, entretanto, o amparo prestado pelo poder público a essa parcela da população é ínfimo, como explica Gilberto Dimenstein em seu livro “Cidadão de Papel”. Dessa maneira, sem o auxílio do Governor Federal, muitas famílias não tem condições de cuidar de alguém na terceira idade, em razão dos exorbitantes gastos com saúde, colocando-as em uma situação precária na qual se veem forçadas a negligenciar as necessidades desse parente ou até mesmo colocando-o em abrigos suspeitos por falta de opções.
Convém, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar essa problemática. Assim, o Ministério da Educação deve trabalhar para fortalecer as relações familiares na sociedade brasileira por meio de um projeto de ensino mais focado em valorizar os laços fraternos entre os familiares, como exigir das escolas a realização de eventos em família orientados a ensinarem e aprofudar as relações entre pais e filhos, a fim de se desenvolver uma socidade mais sólida e menos apática, consequentemente, reduzindo o número de idosos abandonados. Ademais, é preciso que o Governo Federal intensifique seus esforços em auxiliar as pessoas da terceira idade através de projetos socioeconômicos orientados a apoiar famílias menos favorecidas, com o fito de diminuir o abandono de idosos no Brasil.