Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 11/11/2021

Nas grandes civilizações da Antiguidade Clássica, os idosos eram vistos com prestígio pela sociedade, afinal, o conhecimento de uma vida toda era extremamente valorizado pela sociedade. Em contrapartida, na contemporaneidade, as marcas da velhice nem sempre são respeitadas pelo meio social, sendo o abandono das pessoas da terceira idade um grande problema a ser combatido, o qual diminui a qualidade de vida dessa parcela da populção e aumenta a sua vunerabilidade.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a legislação brasileira assegura o direitos dos idosos através do Estatuto do idoso, o qual, criado em 2003, visa uma melhora na qualidade de vida e a garantia da dignidade dos mais velhos. Porém, o abandono de pessoas da terceira idade representa um fator que interfere de forma significativa na qualidade de vida dessas pessoas que, sem o suporte dos seus familiares e amigos, precisam enfrentar os problemas associados à idade avançada - como questões de saúde e mobilidade, por exemplo - sozinhos. Esse cenário, embora esteja tornando-se cada vez mais comum (em 2020, houve um aumento de 59% dos casos de abandono de idosos no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Direito da Família), é um dos maiores indicativos da falta de respeito pela velhice e, no Brasil, configura-se como crime.

Ademais, a vunerabilidade dessa parcela da população é comprometida quando ela não é assistida. A exemplo disso, o número de casos de depressão - doença que é conhecida como o grande mal do século - em idosos que convivem com seus familiares é duas vezes menor do que entre aqueles que vivem em asilos ou sozinhos, de acordo com o Ambulatório Médico de Especialidades de Psiquiatria. Desse modo, a saúde mental e, consequentemente, física das pessoas de idade avançada fica comprometida, aumentando a sua vunerabilidade na sociedade.

Diante do que foi exposto, torna-se claro que o abandono das pessoas idosas na contemporeneidade representa um grande problema social, o qual deve ser combatido. Assim, torna-se necessário que o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos desenvolva campanhas que informem a população mais velha acerca de seus direitos e dos deveres de seus familiares e do Estado, através de propagandas nos veículos de mídia e de palestras gratuitas em asilos públicos, a fim de auxiliar os mais velhos na luta contra as mais diversas formas de maus tratos, como o abandono em questão. Além disso, o Ministério da Saúde deve investir em centros de atendimento psicológico e psiquiatríco gratuito em municípios brasileiros para idosos que vivem sem o apoio da família, com o objetivo de dar assegurar uma boa saúde mental dessas pessoas, diminuindo, assim, os casos de depressão entre essa parcela da sociedade.