Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 19/11/2021
O filme estadunidense ‘’Admirável Mundo Novo’’ de 1998 - inspirado no romance britânico de Aldous Huxley – apresenta uma sociedade utópica e futurística que é desprovida de guerras, de crimes e de doenças, ou seja, de problemas sociais. Fora da ficção, é fato que a situação apresentada mostra-se distante da realidade contemporânea, visto que o abandono de idosos caracteriza um desafio a ser sanado na sociedade brasileira. Isso ocorre seja pelo despreparo do núcleo familiar para atender as necessidades do idoso, seja pela cultura do desprezo ao mesmo. Dessa forma, torna-se imperioso que essa chaga social seja resolvida.
Diante desse cenário, é lícito salientar como o despreparo emocional da família contribui para o abandono dos mais velhos na sociedade contemporânea. Nesse sentido, de acordo com o filósofo Confúcio: ‘’Por conta não só da sua sabedoria, como também da sua experiência, o idoso é o ser mais relevante no ambiente familiar’’. Entretanto, a realidade difere da apresentada, tendo em vista que a impaciência do núcleo familiar quanto às necessidades dos mais velhos tende a torna-los objeto de desagrado. Por conseguinte, os idosos são marginalizados da sociedade nos asilos, em virtude da incapacidade da família de cuidar do mesmo.
Ademais, vale discutir sobre a transformação dos indivíduos, quando mais velhos, em pessoas incapazes de realizar atividades, em virtude da idade avançada. Sob esse viés, a emérita escritora Simone de Beauvoir, diz que sob uma perspectiva do corpo social, o idoso é tratado como um incômodo, o que o torna um ser desprezível. Nessa perspectiva, a transformação do sujeito em objeto de desuso, achando-o incapaz de realizar tarefas sozinho, tende a torná-lo um ‘’peso’’ e, posteriormente, um ser desprezível no núcleo familiar, culminando no abandono.
Torna-se evidente, portanto, que o abandono dos idosos configura uma problemática a ser combatida na sociedade. Assim, cabe ao Estado minimizar essa problemática, mediante investimentos no Ministério da Justiça e do Ministério Público que irá cumprir com maior rigor e fiscalização o que se está estabelecido no Estatuto do Idoso. Outrossim, cabe ao Legislativo ampliar as políticas públicas de convivência, lazer e saúde para a terceira idade, em colaboração entre União, estados e municípios. Somente assim, o abandono ao idoso deixará de ser uma problemática no Brasil.