Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 13/11/2021
Em sua obra “O Cidadão de Papel”, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein discorre sobre a ineficácia das leis presentes nos documentos oficiais brasileiros, apresentando uma realidade em que as garantias jurídicas limitam-se à teoria. Dessa maneira, pode-se afirmar que a análise de Dimenstein aplica-se ao contexto contemporâneo, uma vez que os direitos constitucionais que atestam o bem-estar dos idosos não são concretizados, tendo em vista que o abandono de indivíduos com mais de 60 anos é recorrente no Brasil. Diante disso, destaca-se a falta de empatia e a alienação social como elementos que reforçam o atual cenário.
De início, é pertinente ressaltar que a precária preocupação com as necessidades da população idosa contribui para a manutenção da problemática. Nesse sentido, segundo o filósofo prussiano Immanuel Kant, os indivíduos devem agir em relação ao outro da mesma maneira que esperam que os demais se comportem, de maneira a respeitar um senso de moralidade universal. No entanto, esse princípio, que é denominado “imperativo categórico”, não é satisfeito na prática, pois muitos se negam a cuidar de conhecidos e familiares mais velhos e permitem que esses indivíduos sejam submetidos a condições desumanas, como à carência de alimentos, de abrigo ou de tratamentos hospitalares, atitude que denota o descaso com a noção moral de respeito às precisões do próximo.
Ademais, observa-se que a falta de acolhimento e cuidado com os idosos configura uma conduta socialmente normalizada na sociedade. Nesse contexto, a pensadora alemã Hannah Arendt, em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, defende que a falta de reflexão diante de circunstâncias prejudiciais a um grupo é responsável pela banalidade do mal. Dessa forma, por falta de questionamento moral, a sociedade não se posiciona a respeito do frequente desamparo de idosos no país, alienando-se perante o problema. Assim, o aumento da quantidade de idosos em abrigos e o desamparo desses indivíduos por suas famílias e conhecidos não são questionados pela população, de forma que não se cobram mudanças quanto a essa conjuntura.
Portanto, verifica-se a permanência de obstáculos estruturais na superação do abandono de idosos no Brasil. Logo, a fim de promover a reflexão dos cidadãos acerca da importância de se proporcionar condições adequadas para o bem-estar dos idosos e aumentar a empatia coletiva, cabe ao Ministério da Educação, agente fundamental na formação socioeducacional dos brasileiros, o desenvolvimento de projetos que informem a coletividade sobre as necessidades dos idosos, por meio da execução de palestras em locais públicos, como parques e praças. Com isso, espera-se mitigar o abandono de idosos, de modo a favorecer a satisfação das garantias previstas pela Constituição Cidadã.