Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 01/06/2022
No conto ´´Noventa e Três´´, de Mia Couto, é retratada a história de um idoso que toda noite sai de casa para encontrar na rua a companhia de um amigo, dado que em casa seus parentes só aparecem em datas festivas. Apesar de ficcional, o romance mostra a realidade de muitas pessoas no Brasil, visto que o isolamento e a negligência com idosos por parte da família e também do Estado são comuns, causando problemas psicológicos e até mesmo de porte financeiro.
Em primeiro lugar, é nítido que muitos problemas dos mais velhos são provocados pela indiferença familiar e estatal. Isso pode ser visto nos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os quais mostram que os idosos lideram o ranking de depressão, deixando claro que os mais longevos estão recebendo poucos estímulos para ter uma vida saudável, como lugares de recreação, visitas a psicólogos e a presença de seus parentes.Nesse viés, a realidade brasileira pode ser sintetizada pelo pensamento do filósofo John Ralws, que diz que o Estado falta com a eticidade quando não garante o acesso à vida digna a todos, fato semelhante ao que ocorre com muitos idosos.
Ademais, a falta de planejamento econômico para o bom estar futuro maximiza essa problemática ao fazer com que muitos longevos fiquem com revezes financeiros. Para exemplificar, censos realizados pelos Estados de Mato Grosso e São paulo mostram que o número de pessoas anosas em situação de rua está crescendo, o que expõe a falta de recursos de muitos idosos, algo que decorre por causa da falta de planejamento para o recebimento da futura aposentadoria. Dessa maneira, ao não arquitetar essa renda futura, diversos idosos ficam com problemas financeiros e podem até mesmo acabar em situações de rua.
Há, portanto, a urgência de findar essa problemática notória na estrutura do Brasil. Cabe, então, ao Ministério da Economia, promover, a partir de recursos vindos da União, a criação de órgãos de assistência aos idosos, que busquem, com ajuda dos parentes, auxiliar os longevos em suas necessidades, tanto de porte emocional quanto financeiro, como também, por meio de propagandas, mostrar a importância do planejamento da aposentadoria,para que, assim, todos possam ter uma vida futura digna. Desse jeito, casos como do conto de Couto não serão vistos.