Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 11/07/2022

O escritor e jornalista Gilberto Dimestein, na obra “O cidadão de Papel”, delata a ineficiência de instrumentos jurídicos, o que evidencia uma cidadania ilusória - metáfora usada pelo autor. Nesse contexto, pode-se associar tal alegação à realidade brasileira, hodiernamente, como o abandono de idosos. Mormente, isso é ocasionado pela indiferença estatal e pela ausência de empatia feitos que eternizam essa problemática.

Primeiramente, consoante ao declarado no trecho “Ninguém respeita a Constituição”, na canção da Legião Urbana “Que país é esse”, a omissão do governo impossibilita a resolução eficaz da negligência com a população senil. Segundo o IBGE, mais de dez por cento dos brasileiros fazem parte desse grupo e isso impacta de forma direta a lotação de abrigos. Por sua vez, essa conjuntura origina-se de tal modo que a violação do Estatuto do Idoso é crime e por isso não deve ser ignorada. Portanto, indivíduos padecem com aumento de idosos em asilos e esses têm suas garantias, previstas no ordenamento legal pátrio, desprezadas, visto que não há obediência à Carta Magna.

Ademais, o egoísmo no corpo social é um entrave à solução do descaso com os idosos. Nesse sentido, em sua tese Modernidade Líquida, Bauman afirma que a contemporaneidade é caracterizada pela instabilidade das relações sociais. À luz dessa perspectiva, frisa-se que a inércia coletiva expõe a verdade bauniana ante a ausência afetiva e, sobretudo, a falta de ajuda financeira familiar para os parentes em idade avançada, pois esses não fizeram um planejamento financeiro adequado para sua independência no futuro. Isso decorre devido à compulsão de cidadãos com o consumismo e com suas vontades patrimoniais, assim, menospreza-se essa comunidade. Logo, a insensatez cidadã afeta o bem-estar na velhice.

Destarte, o Ministério do Desenvolvimento Social deve criar ações esclarecedoras em plataformas digitais, tais como Youtube e TikTok, mediante filmes recreativos sobre as sequelas do abandono de idosos. Diante do exposto, essa dinâmica tem o propósito de mitigar a negligência do Estado e o descaso familiar com a empatia com seus parentes, além de refutar as conclusões defendidas em Modernidade Líquida.