Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 14/07/2022
Na realidade distópica criada por Veronica Roth em seu livro, Divergente, cada cidadão é designado à uma casta de acordo com suas capacidades de contribuir com a sociedade. Já aqueles que não tem utilidade, são nomeados “sem facção” e exilados da vida em comunhão. Fora da ficção, a realidade de abandono sofrida pela população idosa no Brasil se assemelha à realidade de Collins.
Este abandono é visível, primeiramente, na posição de passividade adotada pelo governo acerca deste tema. A falta de centros culturais que visem incluir a terceira idade na sociedade, por exemplo, torna esta parte da população suscetível à exclusão. Deste modo, a qualidade de vida garantida no Estatuto do Idoso se torna inalcançável e o resultado disto é refletido no número de casos de depressão em idosos que, segundo o IBGE, piorou nos tempos de pandemia.
Ademais, assim como defendido pela sociologia, a família é a primeira responsável pela socialização dos indivíduos. Por isso, a negligência do núcleo familiar tem grande influência sobre a situação de abandono vivida por estes idosos. “Viva apenas o suficiente para não atrapalhar seus filhos”, por exemplo, é um costume socialmente imposto da Coreia do Sul. Embora possuam culturas que diferem entre si na maior parte do tempo, o Brasil adota uma postura semelhante ao país asiático sobre esta realidade.
Por fim, é de caráter obrigatório da sociedade prover uma boa qualidade de vida àqueles que já fizeram tanto pelo país. Por esta razão, faz-se necessário que o Governo Federal se responsabilize pela adoção de medidas que permitam maior inclusão da terceira idade na sociedade. Com a criação de centros culturais gratuitos, por exemplo, por meio do Ministério da Cultura, que permitam a socialização destes indivíduos. Além disso, é importante que, por meio de plataformas digitais e palestras socioeducativas, a maior participação do núcleo familiar na vida desta população seja incentivada. Desta forma, estes indivíduos deixarão de viver como os “sem facção” e o abandono de idosos no Brasil poderá deixar de ser uma realidade.