Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 21/07/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca do abandono de idosos na contemporaneidade. Isso acontece devido à banalidade do mal e à negligência governamental; fatos que culminam em preocupantes mazelas. Desse modo, é imprescindível refletir e intervir em tais problemáticas em prol da plena harmonia social.

Efetivamente, conforme o conceito de “Banalidade do Mal”, trazido pela filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a banalidade em relação ao abandono de idosos, configurando a trivialização da maldade que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor dos indivíduos. Nesse viés, percebe-se que a população normalizou o ato de abandonar seus pais e avós quando atingem a terceira idade. Como consequência, os idosos, largados pelas suas famílias, vivem sozinhos - em suas casas ou até mesmo nas ruas – e passam necessidades por não conseguirem trabalhar para se sustentarem.

Além disso, a negligência governamental representa um grande obstáculo para a resolução do abandono de idosos na atualidade. Nesse contexto, de acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, em seu livro “Cidadão de Papel”, o Brasil é marcado pela não aplicação prática dos mecanismos legais, como a Constituição de 1988, e pela cidadania apenas no campo teórico. Dito isso, pode-se afirmar que o abandono dos mais velhos vai ao encontro do cenário postulado pelo jornalista. Essa situação ocorre devido às penas brandas para quem abandona seus familiares que estão na terceira idade. Consequentemente, abandoná-los quase não traz consequências legais, tornando-se uma opção válida.

Portanto, cabe ao governo instituir um comitê gestor formado por um representante de cada área – Ministério da Família, Trabalho e Previdência. Essa ação se dará por meio de maior direcionamento de verbas para auxilio financeiro para os idosos abandonados por suas familias e para campanhas informativas acerca das punições do abandono de idosos. Isso será feito a fim de remediar não somente a banalidade do mal, mas também a negligência governamental.