Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 02/08/2022
A Declaração Universal dos Direitos Humanos visa garantir o acesso aos direitos básicos, além de preservar a integridade e dignidade humana. Entretanto, o abandono de idosos na contemporaneidade mostra que tais garantias não têm sido cumpridas. Tal circunstância é explicada devido ao despreparo financeiro da população e a negligência estatal com os cuidados destinados à terceira idade.
Inicialmente, a forma como a sociedade lida com o dinheiro é uma das causas da problemática. Sob essa ótica, de acordo com José Murilo de Carvalho, observa-se a formação de uma “cidadania operária”, na qual a população não é estimulada a desenvolver um pensamento crítico. Assim, o modelo atual de educação não preza pelo aprendizado de temas transversais, como a educação financeira. Dessa forma, a sociedade não é instruída a poupar para conseguir arcar com as despesas inerentes ao envelhecimento, o que culmina na grande quantidade de idosos que não possui moradia própria e acaba abandonada nas ruas ou dependendo exclusivamente da renda dos familiares.
Outrossim, o descaso do governo perpetua a questão. Sob esse viés, de acordo com a antropóloga Lilia Schwarcz, há a prática de uma política de eufemismos no Brasil, ou seja, determinados problemas tendem a ser suavizados e não receberem visibilidade. Diante disso, por constituírem a parcela da população que não traz lucro ao Estado por meio da força de trabalho, os idosos acabam tendo suas causas negligenciadas, o que é notório por meio da ausência de políticas públicas que assegurem uma quantidade e qualidade adequadas de asilos, assim como a falta de atividades voltadas para a saúde física e mental desses indivíduos.
Portanto, para mudar o cenário atual, cabe ao Ministério da Educação incluir aulas de educação financeira nas escolas, o que possibilitará que a população se planeje financeiramente, garantindo a independência dos futuros idosos. Além disso, cabe ao Poder Legislativo a criação da lei “Vida aos idosos”, que consistirá em investir na construção de asilos que abriguem os idosos mais vulneráveis e proporcione cursos de artesanato e ginástica, além do acesso à medicos, afim de promover maior qualidade de vida a esses indivíduos. Somente assim o que é visado pela Declaração dos Direitos Humanos será cumprido com êxito.