Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 16/08/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada a sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente ao abandono de idosos em questão na contemporaneidade é uma das faces mais pervesas em uma sociedade em desenvolvimento. Isso se dá devido á falta de debate, como também por questões políticas.

Sob esse viés, é válido ressaltar o silenciamento sobre essa causa. Nesse seguimento, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, é notório uma lacuna em torno de debates á respeito do abandono de idosos em questão no Brasil, tal como as consequências do desamparo na saúde física e mental desses anciões. Assim, trazer á pauta esse tema e debate-lô amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Ademais, deve-se ressaltar a insuficiênica de leis como impulsionador do problema. Nesse sentido, o filósofo Jhon Locke defende que “As leis fizeram-se para os homens e não para as leis” Ou seja, ao ser criada uma lei, é preciso que ela seja planejada para melhorar a vida das pessoas em sua aplicação. Entretanto, na questão do abandono de idosos, a legislação não tem sido suficiente, o que torna sua resolução mais dificultada. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

É evidente, portanto, que tais entraves devem ser solucionadas. Logo, é necessário que as famílias, em parceria com a liderança dos bairros, exijam do poder público o cumprimento do direito constitucional garantido no Estatuto do Idoso. Essa exigência deve-se dar por meio da produção de ofícios e cartas de reclamação coletiva, com a descrição de relato de cidadãos com idade maior que sessenta anos e sofrem com abandonos e maus tratos, a serem entregues nas prefeituras, para que os princípios constitucionais sejam cumpridos. Assim, tornar-se-á um Brasil, a qual Brás Cubas pudesse se orgulhar.