Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 08/10/2022
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu crí-ticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação.Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes que perpetuam ao longo da his-tória, no que tange a questão do abandono de idosos no Brasil. Além disso, é preci-so ressaltar, ainda, que a população carece de informações sobre o assunto, o que gera um estranhamento em torno do tema.
A princípio, vale destacar o silenciamento como um complexo dificultador. De acordo com o IBGE, houve um crescimento exponencial de pessoas da melhor ida-de, sendo 24,5 milhões para 30,5 milhões. Apesar da longividade ser um fator posi-tivo, uma parcela desses indivíduos sofrem de alguma violência, seja pelos filhos ou outros responsáveis. Nessa fase da vida ficam mais suscetíveis emocionalmente e fisicamente, podendo sofrer ataques contra sua dignidade física, moral e psicoló-gica. Infelizmente, para não ficarem sós, suportam a dor em silêncio pelo medo da solidão. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas.
Outro ponto relevante nessa temática é a insuficiência na regulamentação. O ar-tigo 6º da Constituição Federal de 1988 garante direito pleno a todo cidadão, como à segurança, lazer, previdência social, dentre outros. No entanto, embora o Brasil possua um sólido aparato legislativo, ele mantém-se restrito no plano teórico.A au-sência do olhar governamental para essa classe tão esquecida agrava a qualidade de vida desse público. O abandono afetivo pode levar à depressão, baixa autoesti-ma, queda no desempenho social, desinteresse pelos hobbies, isolamento e até pensamentos suicídas. Dessa maneira, se é dever do Estado administrar a nação, qualquer problema que venha acontecer é fruto de negligência governamental.
Torna-se imperativo,portanto,modificar a visão da habitantes acerca das leis.Isso pode acontecer por meio de uma ação conjunta do Poder Judiciário com o Ministé-rio da Educação e Cidadania promovendo palestras em escolas abertas ao público com psicólogos e visitas aos asilos para alegrar o dia dos idosos, e com orgãos res-ponsáveis para falar do processo de elaboração e fiscalização das normas no Bra-sil, a fim de que as novas gerações se tornem mais conscientes.