Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 18/10/2022
Segundo matéria publicada na revista “IstoÉ”, o número de idosos em abrigos públicos aumentou 30% entre os anos de 2012 e 2017. O triste dado contrasta com um país que passa por uma alteração na sua pirâmide etária e terá cada vez mais parcela da população na terceira idade. Diante desse cenário, faz-se necessário analisar o abandono de idosos em questão na contemporaneidade, seja pela débil ação estatal, seja pela normalização dessa conduta.
De início, a inoperância estatal é fundamental para existência da mazela. O Brasil, desde 2003, tem em sua ordem jurídica o Estatuto do Idoso, conjunto de leis protetivas para aqueles com mais de 60 anos. Na referida norma, há a previsão de punição aos que abandonem de forma material ou afetiva idosos do seu círculo familiar. Contudo, conforme apontado pelo escritor Gilberto Dimenstein na obra “Cidadãos de Papel”, de nada adianta a existência de leis se essas não são postas em práticas. Desse modo, a falta de atitudes positivas para que as leis sejam cumpridas permite a proliferação de casos de desamparo.
Ademais, a naturalização do abandono na senescência corrobora para o problema. No filme “Up: Altas Venturas”, o protagonista Karl é um idoso que se vê sozinho após a morte de sua esposa, visto que ninguém manifesta preocupação com seu estado de saúde. Sob essa ótica, assemelha-se a sociedade contemporânea dado que ocorre uma normalização do abandono, comprovado pelos aumentos dos casos, conforme supracitado. Todavia, essa falta de empatia com as necessidades na terceira idade mostra-se sem sentido, já que a velhice é o ciclo natural da vida. Dessa forma, a falta de perspectiva social em proteger os idosos, além de ilógica, consente para mais casos.
Depreende-se, portanto, que o abandono de idosos é um grave problema social que necessita ser dirimido. À vista disso, é dever do Ministério do Desenvolvimento Social — órgão responsável pelas diretrizes da assistência social — atuar para diminuir a situação de abandono. Isso pode ser feito por meio de campanha publicitária buscando conscientizar a população e, também, divulgando canais de denúncia para casos de abandono de idosos, a fim de que com a alteração da mentalidade social e maior ação estatal os números de abandono diminuam.