Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 02/09/2023
Em meados da década de 40, no Brasil, foi apontado que a expectativa de vida era de até 45 anos. Porém, com o avanço da medicina e da tecnologia, foi proporcionado um grande aumento na qualidade de vida, gerando, assim, o evelhecimento populacional. Visto isso, apesar da constante evolução tecnológica possibilitar o crescimento da população idosa no país, essa camada social é negligenciada em diversas esferas, dentre elas, a familiar, em que são submetidos a condições insalubres e ao abandono. Nesse contexto, é necessário discutir as principais causas que acentuam o problema, seja pela inobservância estatal, seja pela falta de sensibilização do corpo civil.
Deve-se destacar, primeiramente, que a inoperância governamental é o fator preponderante para que haja a persistência do cenário. Sob essa ótica, é pertinente citar o filósofo contratualista Rousseau, que afirmava que os indivíduos cedem parte de sua liberdade natural para que o Estado os ofereça saúde, segurança e bem-estar, o chamado “contrato social”. Desse modo, é inquestionável que há uma constante quebra do contrato social proposto pelo teórico, uma vez que um número expressivo de pessoas idosas do país se encontra em situações degradantes dentro de asilos e casas de cuidado, que sofrem com a superlotação.
Ademais, o comportamento apático da população contribui para a intensificação do abandono de pessoas idosas. Diante disso, a filósofa alemã Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, afirmava que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, a sociedade passa a naturaliza-la, ou seja, a trivializar situações de violência. Nesse sentido, nota-se que, muitas famílias, ao optarem pelo “despejo” do idoso em casas de repouso, buscam por uma alternativa fácil e cômoda para o livramento de responsabilidades.
É evidente, portanto, que medidas capazes de mitigar o quadro devem ser tomadas com urgência. Logo, cabe ao Governo Federal, por meio de fiscalizações mais rígidas, garantir que as leis de proteção a esse grupo sejam cumpridas, a fim de garantir um ambiente sadio dentro de asilos. Em adição, o Ministério da Cidadania, responsável por promover os direitos humanos, deve trabalhar na promoção de uma consciência coletiva para que os idosos sejam acolhidos.