Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 02/10/2023
Segundo a geografia, o Brasil está passando pela fase de desaceleração na transição demográfica, ou seja, o número de brasileiros idosos vem crescendo. Entretanto, o crescimento dessa parcela da população não tem sido acompanhada pela manutenção dos direitos dela, que frequentemente encontra-se desamparada pelo núcleo familiar. Tal desrespeito aos direitos da pessoa idosa parte de sua desvalorização a partir da lógica capitalista de utilidade, e implica na naturalização da negligência contra essas pessoas.
Diante desse cenário, infere-se que o modelo atual de educação, bem-adaptado às prerrogativas do mercado, tende a valorizar apenas os cidadãos economicamente ativos. Nesse viés, entra o pensamento do economista José Murilo de Carvalho, que afirma haver nas instituições de ensino brasileiras a formação de uma “cidadania operária”, cujo objetivo é formar apenas trabalhadores, e não cidadãos de direitos inalienáveis. Dessa forma, por não estar bem inserido na lógica produtiva, o sujeito idoso é desvalorizado em sua humanidade.
Por conseguinte, a violação das garantias das pessoas com mais de 65 anos é naturalizada. Segundo o filósofo camaronês Achille Mbembe, necropolítica é uma manifestação do poder político na qual a morte de indivíduos pertencentes a grupos sociais específicos é vista como aceitável. Assim, pode-se afirmar que o abandono e posterior morte desses cidadãos vulneráveis é uma forma de necropolítica, justificada pela “falta de utilidade” deles.
Portanto, a partir dessa análise, é necessário que o estado - materializado na Secretaria da mulher, direitos humanos e cidadania - promova a valorização do segmento mais antigo da sociedade. Essa ação deve dar-se mediante materiais publicitários, vinculados nas televisões, rádios e redes sociais da população, com o objetivo de mudar a percepção social do idoso, e como efeito, incrementar sua inclusão e cuidado.