Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 11/10/2023
O psiquiatra, judeu-germânico, Viktor Frankl passou três anos como prisioneiro nos campos de
concentração nazista na 2ª Guerra Mundial. Felizmente ele conseguiu sobreviver e escrever o livro: Em busca de sentido, no qual ele descreve a sua práxis vivida no holocausto. Dessa maneira, o autor - com grande expertise no tema sobre resiliência - relata em seu livro que a única forma de suportar as mazelas da vida é a : capacidade de escolha. Entretanto, no caso dos idosos deixados em asilos, já não existe essa possibilidade, porque lhes foram cerceados os direitos à dignidade e à convivência familiar. Assim, é necessário averiguar quais são as motivações do abandono familiar aos idosos.
Em uma primeira análise, a longevidade e a falta de vitalidade são fatores preponderantes para o abandono do idoso. Segundo o médico Dráuzio Varella, uma parcela grande dos idosos é corresponsável por esse desiquilíbrio familiar, porque não atribuem grande atenção à saúde e aos laços de amizade, acarretando assim uma inércia física e mental que os deixa cada vez mais dependentes de cuidados. Por outro lado, é dever dos filhos maiores de idade cuidar dos seus pais idosos, conforme o artigo 3º do Estatuto do Idoso. Então, uma reflexão da família - sobre o processo de envelhecimento no convívio familiar - deve sempre ser tomado em momentos oportunos para que não haja descaso no futuro.
Além disso, é imperativo que a cadeia social e familiar siga o fluxo natural, que é os descendentes cuidarem dos seus antecedentes. Ainda nessa seara, não é uma escolha envelhecer ou ficar inválido, por isso é necessário que esse fluxo familiar se siga para que ninguém fique desprovido de assistência. Desta forma, como é assegurado também na CF/88 no artigo 230: o amparo ao idoso nas suas mais diversas formas de cuidado. Logo, não é somente uma possibilidade de cuidar, mas também a inserção do idoso no meio social que o cerca.
Verifica-se, portanto, que o Ministério da Cidadania deve criar políticas públicas para a reinserção dos idosos no meio social, por meio de palestras e atividades lúdicas e intelectuais em praças públicas, clubes e escolas, a fim de que eles formem elos de amizades fortes para o seu bem-estar físico e mental. Ainda, os filhos e netos desses idosos devem participar de palestras nas escolas de como é importante manter o laço familiar com seus parentes idosos. Dessa forma, a única resiliência, que o idoso terá que aprender, será a de contar histórias de como é bom ter os laços familiares fortes.