Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 31/10/2023

Na animação norte-americana “Up altas aventuras”, retrata-se o cotidiano do protagonista Carl, um senhor de idade avançada que vive de forma solitária, sem nenhum o contato com sua família. Assim como na ficção, é nítido o abandono de idosos na sociedade contemporânea. Logo, é uma realidade a invisibilidade social de pessoas idosas e a omissão governamental ao combate do desamparo.

Diante desse cenário, é evidente o apagamento de indivíduos mais velhos pela atual sociedade. Nessa perspectiva, segundo a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante que é dever do Estado e da família amparar pessoas idosas. De maneira análoga à legislação, é indiscutível que o cuidado afetivo da terceira idade, embora seja relevante para o desenvolvimento da empatia social, não recebe a devida importância. Tal negligência é prejudicial ao socioemocional dos mais velhos, tendo em vista que há o abandono de familiares àqueles que já estão em idade avançada por não serem considerados “úteis” no âmbito trabalhista. Dessa forma, esse fator promove uma grave ruptura na ordem da sociedade.

Ademais, é válido ressaltar a indiferença da figura estatal ao combate do abandono de idosos. Nesse viés, de acordo com Norberto Bobbio, as autoridades devem não apenas ofertar os benefícios das leis, mas também garantir que a população usufrua deles. Sob essa lógica, a partir do raciocínio de Bobbio, o Estado precisa não apenas criar políticas públicas que assegurem a proteção dos mais velhos, mas também garantir que os mesmos vivenciem os cuidados e a solidariedade. Desse modo, enquanto a indiferença estatal for a regra, pessoas idosas estarão fadadas a conviver com o abandono social.

Assim sendo, é mister que o Estado tome providências para melhorar o impasse do quadro atual, visto que na sociedade contemporânea há o abandono de idosos. Urge, portanto, que o Ministério da Cidadania -órgão responsável pelo bem-estar social brasileiro- faça medidas legislativas punitivas ao abandono de incapazes e a criação de órgãos de fiscalização ao idoso, por meio de aprovações constitucionais e verbas estaduais voltadas para a segurança social, para que o abandono de pessoas idosas seja erradicado da atual sociedade. Pois, somente assim, o contexto de “Up altas aventuras” não será a realidade da hodiernidade.