Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 01/11/2023
A Constituição Federal de 1988 define a proteção dos idosos. Entretanto, essa prerrogativa não se cumpre, visto a persistência do abandono de idosos, população que precisa de cuidados especiais. Nesse contexto, faz-se imprescindível a análise dos agravantes: a negligência estatal e a apatia social.
Em primeira análise, percebe-se a falta de ações eficazes do Estado nesse revés. Sob essa perspectiva, o sociólogo Gilberto Dimenstein, em sua obra “Cidadão de Papel”, afirma que a legislação brasileira, embora teoricamente robusta, não é praticada como deveria ser. Assim, é possível alegar que, apesar de pessoas mais velhas terem a proteção de leis, como a do Estatuto do Idoso, na realidade, elas não são protegidas. Consequentemente, tal grupo fica extremamente vulnerável aos abusos, seja dos próprios familiares ou de instituições. Dessa forma, o Estado deve intervir nessa situação, de maneira a fiscalizar a efetivação dessas leis.
Além disso, a sociedade participa do problema quando perpetua a noção de que os idosos são apenas inconveniências, desumanizando-os. Sob esse viés, o sociólogo Michel Foucault define que, na sociedade, há a repetição de comportamentos sem a devida reflexão crítica dessa conduta. Nesse quadro, é nítido que essa forma de etarismo é normalizado na cultura ocidental, visto a escolha de muitos familiares e instituições em negligênciar e até mesmo abandonar essas pessoas. Certamente, essa percepção negativa provém da forma em que a sociedade em si é formada, na qual as pessoas que não produzem economicamente são consideradas inúteis. Dessa maneira, somente com uma mudança de mentalidade social haverá a possibilidade de assegurar os direitos de tal população.
Depreende-se, então, que essa problemática é pertinente, porém muito ignorada. Portanto, o Ministério da Cidadania deve, por meio de verbas governamentais, promover a criação de programas de assistência e fiscalização a fim de garantir a segurança do idoso. Outrossim, cabe à mídia - como TV Globo, SBT e Record -, por meio de reportagens e noticiários, denunciar esse abandono com a finalidade de conscientizar a sociedade.