Abandono de idosos em questão na contemporaneidade

Enviada em 24/05/2024

Zygmunt Bauman defende que “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas”. No entanto, não é possível verificar uma reação interventiva a respeito do alto índice de abandono de idosos, que fazem parte de uma grande parcela da sociedade. Então, deve-se traçar estratégias a partir da atuação nas causas do problema: a falta de investimento governamental sobre o assunto e a ineficácia legislativa.

Dessa forma, em primeira análise, a carência de investimentos do governo é um desafio presente no problema. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão das pessoas de terceira idade, visto que os locais que foram criados no objetivo de abrigá-las muitas vezes possuem pouco espaço e uma infraestrutura comprometida. Assim, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, como defende a pensadora.

Em paralelo, a ineficácia legislativa é uma entrave no que tange à situação. Para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica de

mercado. Tal constatação é nítida na ineficácia legislativa, visto que os responsáveis pelo abandono dessas pessoas, não lidam com as consequências de seus atos presvistas pela lei ainda que seja considerado crime deixar o idoso em situações que negligenciam a saúde, bem-estar e dignidade. Assim, inverter a lógica e colocar os valores humanos em primeiro lugar é urgente.

Portanto, é indispensável intervir sobre esse problema. Para isso, o Poder Público deve criar políticas públicas, por meio de investimentos nos asilos e casas de repouso, a fim de que esses locais sejam mais confortáveis e dignos para moradia. Tal ação pode, ainda, contar com pesquisas públicas para entender e priorizar as reais necessidades da população. Dessa forma, será possível lidar da melhor maneira com essa crise, como defendeu Bauman.