Abandono de idosos em questão na contemporaneidade
Enviada em 16/05/2025
A música “Filho Adotivo”, interpretada pelo cantor Sérgio Reis, narra a história de um pai que é resgatado de um asilo por seu filho adotivo, após ser abandonado afetivamente pelos seus filhos biológicos. Fora da ficção, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), está ocorrendo uma inversão da pirâmide etária no Brasil, ou seja, um aumento do percentual da população idosa, podendo ter reflexo no número de abandono de idosos em território nacional. Nesse âmbito, a falta de planejamento financeiro e os conflitos familiares são fatores que favorecem esse quadro.
Em primeira análise, nota-se que o brasileiro não tem o hábito de poupar, seja para uma reserva de emergência ou para uma previdência privada. Isso ocorre devido aos baixos salários, resultando na falta de recursos para o investimento ou pela falta de educação financeira. Nesse contexto, segundo o portal de notícias G1, a poupança para a velhice no Brasil é uma das menores das Américas. Sendo assim, fica evidente que a falta de planejamento financeiro para a velhice impactará na dependência econômica do idoso, podendo resultar, de forma indireta, no seu abandono.
Ademais, relações conflituosas anteriores entre o idoso e familiares podem levar ao distanciamento e, consequentemente, a uma progressiva queda dos vínculos afetivos. Sob esse viés, de acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, na chamada “modernidade líquida”, os vínculos humanos se tornaram frágeis e passageiros. Dessa forma, esse fenômeno é visível nas relações contemporâneas, onde a instabilidade e os conflitos contribuem diretamente para o abandono do idoso.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação, responsável por formular e executar políticas públicas que envolve a educação, implementar conceitos básicos em finanças, na base comum curricular. Tal ação deverá ser feita por meio de parcerias com faculdades de ciências econômicas, tendo como finalidade a formação de cidadãos que consigam ter um planejamento financeiro para a velhice. Paralelamente, o Ministério da Saúde deverá contratar psicólogos e terapeutas que atuarão na mediação de conflitos familiares. Afinal, só assim, o abandonos de idosos ficará apenas na ficção, como ocorrido na canção de Sérgio Reis.