Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 26/04/2021

No seriado de TV norte-americano “Grey’s Anatomy” é retratado o drama de Josephine Wilson que foi abandonada pelos pais com poucos dias de vida. Faz-se notório, então, que tal contexto não se resume às telinhas, sendo a realidade do Brasil, haja vista que a inobservância e a omissão estatal prolonga o abandono de incapaz no país.

Sob primeiro enfoque, é importante destacar que a falta de informação da sociedade brasileira é o principal catalisador do problema. De fato, o avanço da tecnologia e dos meios de comunicação é responsável pela rápida disseminação de notícias, principalmente no meio digital, mas isso não significa que os cidadão se encontram conscientes a cerca de temáticas sociais ou infantis. Dessa forma, mesmo que diversos estudos atuais demonstrem a relevância do cuidado dos pais nos primeiros sete anos de uma criança, as raízes de uma inobservância generalizada, ainda questionam a veracidade da situação. De acordo com a psicóloga Maria Aparecida Crepaldi, o abandono de uma criança pode gerar uma série de efeitos prejudiciais para o desnvolvimento psicológico da mesma. Nesse viés, ao negligenciar os fatores psicológicos que se relacionam ao abandono de incapazes, por exemplo a angústia, a sociedade míope alimenta uma visão ignorante e tóxica, limitando as diversas possibilidades de debater sobre o abandono de incapazes no Brasil.

Ademais, a ausência de compromisso do Estado para com a educação é outro ponto que fomenta os desafios relacionados à problemática. De certo, a falta de incentivos financeiros na área da educação infantil é a realidade enfrentada pelo país, resultando em falta de espaço para as crianças, desprezo das escolas e afetando, após um eventual abandono, a sanidade mental e educação da criança. Segundo o filósofo John Rawls, em sua obra “Uma Teoria da Justiça”, um governo ético é aquele que disponibiliza recursos financeiros para todos os setores, promovendo uma igualdade de oportunidades a todos os cidadãos e o acesso a uma vida digna. Sob essa óptica, torna-se evidente que o Brasil não é um exemplo dessa ética do pensador inglês, visto que negligencia as condções de vida de uma criança abandonada ao não investir corretamente nos setores públicos responsáveis por promover políticas de amparo nas residências e nas escolas dessas crianças.