Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 14/03/2021

No livro ‘‘Quarto de Despejo’’, que retrata as diversas dificuldades enfrentadas por uma favelada

-Carolina-, fica evidente, em algumas passagens, que os filhos da protagonista, todos menores de idade, eram deixados sozinhos cotidianamente. Nesse contexto, é nítido que o abando de incapaz -o qual é o abandono de qualquer pessoa incapacitada de se defender, seja ela uma criança, um deficiente ou um idoso- é uma realidade no Brasil não só por conta de fatores sociais, como também devido a um despreparo emocional e psicológico de uma parte da população.

Em primeiro lugar, é inegável que o abandono de incapaz também depende de outros fatores, porém não se pode desconsiderar o impacto das questões sociais. Na Primeira República, houve um processo de higienização urbana, isto é, os indivíduos com menores condições financeiras foram expulsos do centro das cidades e obrigados a viver em um local periférico e com condições precárias. Nesse âmbito, por consequência desse processo que ainda não foi solucionado, inúmeras famílias são forçadas a praticar o abandono de incapaz, desde mães solteiras que precisam sustentar suas casas e deixam seus filhos sozinhos, até filhos autônomos que não pdem cuidar dos seus pais idosos em período integral e nem mesmo pagar alguém para realizar essa tarefa. Sendo assim, fica claro que os problemas socioeconômicos do Brasil têm uma forte influência nos casos de abandono de incapaz.

Ademais, por conta da estigmação do trabalho realizado por psicólogos, muitas pessoas, mesmo com a saúde mental abalada, não buscam esses profissionais. Segundo uma pesquisa realizada pelo Market Angels, somente 2% dos brasileiros utilizam a psicoterapia para resolver os seus problemas pessoais. Nessa lógica, indivíduos que passaram por uma gravidez na adolescência, bem como uma gravidez indesejada ou tiveram filhos deficiente ou familiares idosos com enfermidades sérias  precisam de um acompanhamento psicológico para lidar melhor com essas situações delicadas. No entanto, isso, na maioria das vezes, não acontece, porque a sociedade criou um estigma de que psicólogo é um lugar para loucos. Assim, o despreparo emocional e psicológico propicia o abandono  dos incapazes.

Em virtude dos fatos mecionados, são necessárias medidas para mitigar essa problemática. Dessa forma, para minimizar o abandono de incapazes, é fundamental que o governo exija, por meio do fornecimento de verbas, por intermédios dos estados, para os municípios, que todas as cidades tenham creches especializadas em atender crianças que tenham entre 0 meses e 1 ano. Além disso, o MEC deve inserir no calendário escolar uma aula, ministrada por professores de biologia e sociologia, sobre a importância de buscar ajuda psicológica. Com isso, Carolina teria menos preocupações.