Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 15/03/2021
No filme ‘‘Wolfwalkers’’ a jovem Robyn é deixada pelo pai em casa enquanto ele é contratado para caçar lobos. No entanto - sem que alguém cuide dela - ela resolve ajudá-lo na caça sem que ele saiba, o que resultou no seu encontro com a alcateia. Saindo da ficção, é possível perceber que, assim como Robyn, muitos incapazes são deixados sozinhos por seus responsáveis devido - principalmente - à carga horária de trabalho e condição financeira, e incentivado pela falta de creches e asilos públicos.
Em uma primeira observação, é necessário notar que o expediente de trabalho e o estado financeiro são os principais fatores que causam os responsáveis por essa problemática. Historicamente, a instituição família dependia da mulher para cuidar dos pais idosos e dos filhos, pois essas - em sua maioria - ficavam em casa, enquanto o homem gerava a renda. Na atualidade, com a conquista feminina no espaço de trabalho no início do século XX, ocorreram mudanças nessa estrutura, já que os dois agora trabalham. Assim, quando os responsáveis ainda não tem condições financeiras para contratar uma babá ou cuidador, às vezes o incapaz é deixado sozinho em casa.
É preciso considerar, também, que o abandono é incentivado pelo baixo número de asilos e creches públicas. Segundo o Observatório de Longevidade e Envelhecimento, a parte da população que mais cresce é a de idosos e, no entanto, o Estado não acompanhou essa tendência com a estruturação de mais casas de cuidado com o idoso. Desse modo, os responsáveis sem tempo nem condição econômica para estar presente com o incapaz não tem opções a não deixar o indivíduo sem cuidado.
Portanto, é fundamental combater o abandono de incapazes no Brasil. Para isso, é imperativo que o poder público forneça alternativas para os responsáveis sem tempo e condições financeiras. Nesse intuito, as Prefeituras Municipais deverão investir verba para a criação de mais asilos e creches públicas, com contratação dos respectivos profissionais que serão os cuidadores, para que o Estado compartilhe da responsabilidade pelo cuidado com os idosos e crianças. A partir disso, será possível que indivíduos como Robyn não corram situações de risco por seus responsáveis não terem quem cuide deles.