Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 14/03/2021
Uma pedra representando, simbolicamente, uma ideia de obstáculo diante da trajetória do eu lírico. É isso o que se vê no poema “No meio do caminho” de Carlos Drummond de Andrade. Relacionando essa metáfora com o abandono de incapaz no Brasil, verifica-se que este fenômeno tem se configurado como uma “pedra” para a sociedade. Nesse sentido, é preciso analisar essa questão no país.
Antes de tudo, nota-se que o poder governamental demonstra certa negligência perante o abandono de incapaz. Recorrendo aos estudos do filósofo Jean-Jacques Rousseau para explicar esse fato, é possível constatar o rompimento do contrato social, uma vez que o Estado não tem promovido o bem-estar de todos os cidadãos.
Ademais, observa-se que aceitar o abandono de incapaz é naturalizar o mal. Porém, parte dos brasileiros tem apresentado uma postura resignada diante desse problema. Esse fato vem a confirmar as reflexões da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo essa pensadora, as pessoas têm perdido a capacidade de diferenciar o certo do errado em virtude de um processo de massificação social.
Convém, portanto, ressaltar que é preciso superar o abandono de incapaz. Logo, é necessário exigir do Estado, mediante debates em audiências públicas, uma postura mais ativa frente a esse impasse. Além disso, é fundamental sensibilizar as pessoas, por meio de campanhas midiáticas feitas por ONGs, sobre a importância de não se aceitar tal fenômeno. Desse modo, seria possível assegurar o bem-estar de todos prescrito pelo contratualista Jean-Jacques Rousseau.