Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 15/03/2021

No filme “Esqueceram de mim”, o filho Kevin é deixado em casa durante a saída para uma viagem em família tendo que virar-se sozinho por dias. Fora da ficção a realidade apresentada é diferente, visto que não é cômica como retratada no longa, sendo causada pelo estilo de vida vigente e trazendo consequências para suas vitímas.

A Revolução Industrial do século XVIII, mudou radicalmente as relações familiares em conquência do capitalismo. Os que podiam trabalhar garantiam o sustento da família, e os considerados incapazes, como crianças mais novas e idosos, passavam o dia em casa a deriva. O mundo modernizou-se, entretanto as relações de trabalho ainda o movem, sendo corriqueiro para adultos responsáveis deixar em sua moradia os seus dependentes, situação que foi agravada em 14% no ano de 2020 devido à pandemia do novo coronavírus, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas.

Para Paulo Freire, “ninguém nasce feito, é experimentando-nos no mundo que nos fazemos”, concordando que, na ausência da família com formadora dos ideais bases do indivíduo, este busca em outros grupos sociais estes valores, que podem moldar ou influenciar seu caráter de forma errônea. Todavia, no caso dos idosos, não há a procura das crianças ou adolescentes, mas sim, sentimentos melancólicos, que segundo IBGE são responsáveis por desenvolver a depressão em 13% da população entre 60 e 64 anos, idade em que, geralmente, ocorre a aposentadoria.

Infere-se, portanto, que o abandono de incapaz no Brasil é um problema a ser urgentemente combatido. Posto isto, cabe ao Ministério da Saúde, pelos meios midiáticos, incentivar a população a denunciar situações de abandono e promover apoio psicológico profissional gratuito para que esta situação não seja banalizada. Desse modo, os entraves dessa questão seriam contornados e solucionados, e Kevins seriam menos comuns na realidade familiar brasileira.