Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 25/04/2021

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o abandono de incapaz, no Brasil, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo aumento excessivo dos números de casos, seja por problemas psíquicos. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que o aumento dos números de casos de abandono deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o aumento do número de casos, rompe essa harmonia, haja visto que em janeiro a julho do ano passado, foram registradas 83 ocorrências de abandono, conforme dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM).

Outrossim, destaca-se os problemas psicológicos como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que os problemas psicológicos ocasionados pelo afastamento, pode levar ao distanciamento social, a depressão e até mesmo a morte. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à constituição de um mundo melhor. Destarte, o poder público deve criar medidas que fiscalizem e evitem o abandono, com a criação de leis e atribuição de multas àqueles que não cumprirem com os anseios da constituição. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam como enfrentar os problemas ocasionados pelo afastamento, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.