Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 14/05/2021
Na série “O gambito da rainha”, originalmente criada pela Netflix, é apresentada a história da enxadrista Beth Harmon. Ao longo da trama é apresentada a forma com a qual ela é tratada, por seus pais adotivos, em casa. Onde muitas vezes fica sozinha, e acaba por viciar-se em álcool enquanto adolescente. Fora da ficção, evidencia-se que esta realidade pode ser associada ao abandono de incapaz que ocorre com certa frequência no Brasil. Em tal problemática, não só a falta de consciência pessoal por parte dos responsáveis, mas também certa tradição cultural, corroboram para o agravamento desta situação.
Em primeira análise, é importante destacar que as pessoas em nossa sociedade estão cada vez menos preparadas para ter a responsabilidade de cuidar de alguém. Segundo a delegada Kelly Cristina da Delegacia de Proteção a Criança e o Adolescente (DPCA), o aumento do número de casos de abandono de incapaz está diretamente associado à elevação da quantidade de pais que saem para se divertir a noite e deixam seus filhos sozinhos. Desta forma, demonstra-se que tal inaptidão é causada principalmente pela ausência de conhecimento dos perigos que o cuidado sofre com este despreparo. Pois, este torna-se abandonado por um simples descaso.
Ademais, em nossa sociedade, é possível perceber certa cultura de ausência, por parte dos cuidadores, no Brasil. De tal modo, estes tem em seus costumes algo que é fruto da alienação causada pela tradição cultural da sociedade brasileira, e é semelhante às ideias que os discursos de Hitler na Segunda Guerra Mundial, que alienavam grande parte da população, transmitiam. Tais costumes, tornam-se principalmente perceptíveis ao observarmos alguns contos e cantigas de ninar como: “Nana neném que a cuca vai pegar, papai foi pra a roça e mamãe foi trabalhar”, pois estes, são repassados de geração a geração e levam consigo pensamentos equívocados.
Portanto, é necessário que o estado tome providências para amenizar o quadro atual. Urge que o Ministério da Educação juntamente às escolas, criem, por meio de verbas governamentais, campanhas de conscientização. Estas devem apresentar aos alunos a necessidade de cuidar de pessoas incapazes de protegerem-se, de tal modo que os alunos entendam que, diferentemente das tradições culturais, devem ser responsáveis por seus cuidados. A fim de que quando estas pessoas cresçam, tornem-se adultos responsáveis e conscientes, e tal problemática seja, no pior dos casos, amenizada. Só assim, conseguiremos criar uma sociedade que, de forma oposta ao universo de “O gambito da rainha”, tenha o abandono de incapaz erradicado.