Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 29/06/2021
Na obra “O Otimismo”, do escritor e filósofo francês Voltaire, a personagem Pangloss retrata um mundo perfeito, no qual, “todos os acontecimentos estão encadeados no melhor dos mundos possíveis”. Entretanto, o que se observa na realidade vigente é o antagônico do que a personagem pensa, uma vez que o abandono de incapazes veicula obstruções, as quais contradizem o modo de vida otimista de Pangloss. Em suma, torna-se essencial a discussão desse aspecto, motivado tanto pela negligência estatal, quanto pela dificuldade em trabalhar e cuidar dos dependentes enfrentada pelos responsáveis.
Primeiramente, é incontestável que a questão constitucional e a sua execução encontram-se entre as causas dessa adversidade. Segundo o político estadunidense Ronald Reagan, governos não solucionam problemas, só os reorganizam, de maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, o Estado mantém essa proporcionalidade, haja vista que as leis presentes no artigo 133 do Código Penal não são suficientes para a resolução da problemática, e a dificuldade na implementação de novas práticas torna sua mudança rara, fazendo com que, no país, a resolução da situação percorra círculos. Logo, é inadimissível a situação vigente, na qual o estado tem muito a melhorar.
Outrossim, salienta-se a dificuldade na conciliação do trabalho com o lar dos responsáveis como agravador do obstáculo enfrentado. No filme “Doze é Demais”, os pais de doze crianças mudam para a cidade grande para trabalhar no emprego dos seus sonhos, porém, enfrentam dificuldades em conciliar seus afazeres. Não muito diferente da ficção, os encarregados veem dificuldades em cuidar dos dependentes e permanecer em seus empregos, e devido a dificuldade de se achar cuidadores por um preço acessível,torna-se quase impossível não deixar os dependentes por própia conta. Contudo, tal estado é inaceitável, visto que cerca de 8 milhões de jovens já se encontram em situação de abandono no país, e se não for resolvida tal dificuldade em arranjar cuidadores esses dados podem se tornar cada vez mais alarmantes.
Assim, providências exequíveis são indispensáveis para reprimir o avanço da problemática. Dessarte, com o intuito de mitigar a questão do abandono de incapaz, necessita-se, que o Tribunal de Contas da União, por intermédio do Ministério da Educação e do Ministério da infraestrutura, ajude na construção de instituições que cuidam dos dependentes, por meio do direcionamento de capital, de modo que os reponsáveis possam trabalhar sem preocupações, sabendo que aqueles que ficam sob seu cuidado estão em segurança. Desse forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do abandono de inacapaz no país, de forma que a humanidade possa alcançar o melhor dos mundos, como proposto por Pangloss.