Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 05/07/2021

No filme Mulan, a protagonista luta com uma espada decorada com as palavras lealdade, bravura e verdade. Ao fim da guerra, Mulan pretende reatar sua relação com a família e, consequentemente, os feitos da lutadora são enobrecidos e ela ganha uma espada com a adição de uma nova palavra, a devoção à família. Logo, respeitante à narrativa, o abandono de incapaz no Brasil se opõe a qualquer chamado afetivo, pois duas problemáticas incentivam tal realidade: A irrisória condição financeira de um dos cônjuges e a impotência das leis punitivas no país.

A princípio, a falta de suportes financeiros reduz muitas comunidades a se desfazerem de suas proles. Essa realidade contempla a infeliz consequência de crianças deficientes em algumas tribos indígenas, posto que são mortas pelo próprio grupo ou pela mãe, os indivíduos com limitações físicas e psíquicas são equiparados a um fardo. Nesse viés, muitas crianças não são acolhidas por seus genitores, pois aquelas exigem respaldos financeiros e psicológicos de seus pais. Sobre isso, a gravidez precoce, como uma consequência da vida sexual prematura, relega muitos pais a não possuírem suportes financeiros, e isso sequencia o abandono de incapaz. Desse modo, a irrisória condição econômica incentiva o problema.

Outrossim, a impunidade dos indivíduos que negligenciam o cuidado com seus respectivos filhos contribui para essa objeção. Tal constante comunica com a filosofia de Santo Agostinho, ao discernir que a não percepção do mal contribui para sintonia com esse. Analogamente, a omissão da prefeitura municipal e de outros poderes locais, por si só, compactua com a evolução do abandono, pois quem pratica o crime não se policia de seus atos. Em vista disso, a impunidade da leis brasileiras sequencia as diversas tipologias de desprezo familiar, e isso vale para negligência psicológica e afetiva de muitos pais, que centralizam somente o suporte financeiro. Em suma, a impotência jurídica no Brasil camufla a omissão afetuosa de pais que certificam o falso sustentáculo financeiro.

Portanto, compete aos agentes sociais sanar a problemática do abandono de incapaz no Brasil. Para isso, as prefeituras locais devem publicitar registros cadastrais e formação de cursos nas ruas, com acesso a novas oportunidades financeiras para os pais, mediante as verbas estatais, pois respaldarão a economia das famílias, com fins na harmonia social. Em direção ao Ministério Público, propõe-se a projeção de informativos sobre as leis punitivas nas redes sociais, com a participação de ´´anúncios´´ e ´´podcasts´´, por meio das mídias, posto que a informação tocará no íntimo familiar, a fim de converter muitas comunidades ao cuidado de seus respectivos filhos. Somente assim, ao fim de toda luta, o Brasil recordará o chamado afetivo de devoção à família e de proteção às crianças.