Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 23/07/2021
Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente esquecidas ou ignoradas. Segundo a lógica manoelina, é necessário discutir a respeito do abandono de incapaz no Brasil já que é um problema inexplorado pela população, mas que afeta negativamente a sociedade brasileira. Essa problemática deriva da negligência estatal e ignirância social. Assim, é necessária a discussão desses aspectos.
Essencialmente, é importante pontuar que o impasse da negligência aos incapazes é fruto do descaso estatal na criação de mecanismos que conscientizem para que não ocorra o abandono. De acordo com o pensador Thomas Hobbes, o Estado é resposável por garantir o bem-estar social, entretanto isso não ocorre no país verde-amarelo. Devido à falta de campanhas que informem sobre a gravidade do crime de descaso com indivíduos que não tem capacidade psíquica ou motora de se proteger de riscos, ocorrem muitas mortes e acidentes todo ano. Desse modo, é necessária a reformulação dessa postura estatal.
Ademais, a ignorância social sobre o abandono também é responsável pelo alto número desses casos no país. Através da cantiga “Nana Nenê”, cuja letra diz que a Cuca (personagem do folclore brasileiro) vai pegar a criança enquanto os pais do menor de idade estão no trabalho, percebe-se a normatização e perpetuação do abandono dentro do corpo social brasileiro. Por isso, urge a necessidade de conscientização e educação dos cidadãos para dar fim à continuação dessa prática criminosa.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar o abandono de incapazes dentro da nação brasileira. Dessa forma, o Ministério das Comunicações - responsável pelos contratos publicitários firmados pelo Governo Federal - deve financiar, com o dinheiro da União, o desenvolvimento de campanhas publicitárias e debates que serão exibidos nas redes televisivas e nas redes sociais, abordando sobre o crime do abandono com a presença de especialistas, como psicólogos, assistentes sociais e delegados, a fim de conscientizar e educar a população, diminuindo os casos do crime. Desse modo, a lógica manoelina não será mais pertinente a esse tema.