Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 14/08/2021

“O cidadão invisível” trata da desvalorização de alguns indivíduos na sociedade brasileira. De fato, a crítica de Dimenstein é verificada no abandono de incapaz, que são muitas vezes consideradas banais e ignorada por parte da população. Nesse sentido, observa-se um delicado problema que tem como seus motivadores o silenciamento e a priorização governamental dos interesses financeiros.

Dessa forma, em primeira análise, a falta de debate é um desafio presente na problemática. Djamila Ribeiro explica que é preciso tirar uma  situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, há um silenciamento instaurado na questão do abandono de incapaz, visto que pouco se fala sobre a criminalidade e irresponsabilidade de um tutor abandonar  uma pessoa que está sob a sua  guarda  nas redes midiáticas e na escola, gerando a desinformação da maioria dos brasileiros. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade, como defende a escritora e pensadora.

Em paralelo, a lógica capitalista no âmbito governamental é um entrave no que tange ao problema. Para Bauman, os valores da sociedade estão sendo colonizados pela lógica do mercado. Tal constatação é nítida na falta de investimentos do Poder Público, uma vez que não há direcionamento de verbas estatais para propagação de infográficos sobre as condições das vítimas do abandono de incapaz. Assim, inverter a lógica e colocar os valores sociais em primeiro lugar é urgente.

Portanto, é indispensável intervir sobre a questão. Para isso, o Tribunal de Contas da União, órgão responsável por administrar o dinheiro público, deve investir em em informações sobre as condições desumanas das vítimas de abandono, por meio da destinação de verbas, a fim de reverter a supremacia de interesses mercadológicos. Além do mais, o Ministério das Comunicações, ministério responsável por propagar informações no setor nacional, deve criar campanhas , como a do “Outubro Rosa” , nas redes sociais com o objetivo de gerar empatia por parte da população. Assim o Brasil poderá caminhar para completude social.