Abandono de incapaz em questão no Brasil
Enviada em 05/09/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o abandono de incapaz apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência estatal quanto da irresponsabilidade de pais e responsáveis. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos a fim do pleno funcionamento da sociedade.
Nesse contexto, é fulcral pontuar que o problema deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Tomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Certamente, devido à falta de ação das autoridades, muitos pais, principalmente de baixa renda, não conseguem trabalhar e cuidar dos filhos simultâneamente e, por não ter com quem deixar a criança ou mesmo não possuir condições financeiras para pagar uma creche ou um cuidador, acabam não tendo outra alternativa se não deixar a criança em casa sem vigilância. Isso se dá pela falta de políticas públicas que visem facilitar a vida desses pais e mães de família, os quais não podem deixar de ir ao trabalho de onde tiram o sustento de seus filhos. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa portura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a imprudência de alguns responsáveis pelo cuidado de incapaz como promotor do problema. Partindo desse pressuposto, nota-se que, segundo informações do site G1, muitas pessoas incapazes de se cuidarem sozinhas são abandonadas em casa por seus cuidadores. De acordo com a delegada Kelly Cristina Luna, a maioria desses casos é decorrente de pais que deixam seus filhos, crianças, sozinhos para se divertirem de noite e só voltam no dia seguinte. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de responsabilidade desses cuidadores contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas são necessárias para conter o impasse. Dessarte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério da Família invista na criação de creches comunitárias que ofereçam os cuidados necessários para crianças de famílias de baixa renda, bem como instituições que acolham idosos, deficientes físicos e mentais, disponibilizando acompanhamento especializado e gratuito para os mesmos. Também é de suma importância promover incentivos para que os pais não abandonem seus filhos sozinhos em casa, por meio de palestras educacionais beneficentes. Dessa forma, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os impactos nocivos da problemática, e a coletividade alcançará a Utopia.