Abandono de incapaz em questão no Brasil

Enviada em 25/09/2021

O período colonial brasileiro foi constituído por uma terceirização da educação afetiva de menores, a qual foi exposta por meio da adoção de amas de leite como par substituto ao papel fraterno. Contudo, tal prerrogativa resistiu à mudança de comportamento da sociedade contemporânea, ecoando de maneira sucinta no comprometimento dos laços afetivos entre responsável e dependente. Ademais, há consequência direta à condição psicológica do menor, o qual conviverá com o sentimento de abandono e desamparo, afetando o desenvolvimento da criança.

O sociólogo Sigmund Freud,  pai da psicanálise, aprofundou em seu pensamento o termo “desamparo psíquico”, o qual consiste na abdicação do papel materno à criação de afeto com a criança. Nesse sentido, há uma convenção cultural para com o abandono do menor, a qual é configurada pelas práticas capitalistas vigentes, onde os responsáveis do menor, devido às rotinas exaustivas de trabalho, encontram-se  obrigados a terceirizar a educação afetiva.

Ressalta-se, também, que os sentimentos de abandono e desamparo acabam por corroer a formação da cidadania, da intelectualidade e da sociabilidade do menor. Sendo assim, há uma evidente violação à função de garantia do Estado, já que não ocorre o pleno desenvolvimento da criança. Logo, é inaceitável que esta violação continue a perdurar sem uma ação efetiva de âmbito social e governamental.

Cabe, portanto, uma associação entre governo e sociedade visando combater esses obstáculos. Para tal, é necessário a utilização das organizações governamentais, conscientizando contra a terceirização do afeto, por meio dos institutos de ensino. Dessa forma a criança terá uma segurança psicológica e afetiva consolidando uma futura geração saudável e proativa com a pátria brasileira, contrapondo, assim, o desamparo psíquico de Sigmundo Freud.